O estudo INSPIRING é um estudo de fase IIIb, não-comparativo, controlado, aleatorizado, aberto em doentes adultos infetados por VIH-1 coinfetados com TB sensível a antibacilares. Dos 113 participantes a fazer terapêutica baseada em rifampicina para a tuberculose durante oito semanas, 69 foram aleatorizados para receber dolutegravir (50mg duas vezes por dia durante a terapêutica para a TB e até duas semanas depois do término da mesma, seguido de 50mg uma vez por dia) com dois NITRs e 44 para receber efavirenz (600mg uma vez por dia) com dois NITRs. O endpoint primário do estudo é a proporção de doentes a fazer tratamento com dolutegravir com ARN de VIH-1 < 50 cópias/mL à semana 48.1 O estudo, realizado na Argentina, Brasil, México, Perú, Rússia, África do Sul e Tailândia, não foi desenhado com o objetivo de demonstrar a diferença estatística entre os braços de tratamento e não foi testada nenhuma hipótese estatística formal.
Uma análise interina às 24 semanas demonstrou que a proporção de doentes que manteve a supressão virológica (ARN de VIH-1 inferior a 50 cópias/mL) no braço de tratamento com dolutegravir foi 56/69 (81%) (intervalo de confiança IC 95%: 72%, 90%).1 No braço de tratamento com efavirenz, 39/44 doentes (89%) (IC 95%: 79%, 98%) mantiveram a supressão virológica. Zero doentes em tratamento com dolutegravir e dois doentes em tratamento com efavirenz descontinuaram devido a acontecimentos adversos, enquanto cinco participantes (7%) em tratamento com dolutegravir e nenhum em tratamento com efavirenz descontinuaram devido a razões não associadas ao tratamento (perda de seguimento/desvio do protocolo).1 Não foi reportada a emergência de mutações de resistência no braço de tratamento com dolutegravir e foi reportada a emergência de uma mutação de resistência no braço de tratamento com efavirenz.1 A taxa de incidência da síndrome de reconstituição imunológica associada à TB (IRIS) foi reduzida em ambos os braços de tratamento (dolutegravir, n=4; efavirenz n=4) sem nenhuma descontinuação devido a IRIS ou acontecimentos adversos hepáticos.1 O estudo INSPIRING está em curso e os resultados das 48 semanas serão apresentados numa próxima conferência científica.
O Chief Scientific and Medical Officer da ViiV Healthcare, Dr. John C Pottage, explica que “a tuberculose continua a ser a principal causa de morte das pessoas que vivem com VIH, sendo responsável por cerca de uma em cada três mortes associadas à SIDA”. O especialista destaca ainda a importância do estudo INSPIRING, tendo em conta que “o tratamento concomitante da tuberculose e da infeção por VIH continua a ser um desafio, uma vez que é dificultado por interações medicamentosas, sobreposição de toxicidades e pela síndrome de reconstituição imunológica”.
Em 2016, havia 10,4 milhões de casos estimados de tuberculose globalmente, incluindo 1,2 milhões (11%) entre as pessoas que vivem com VIH (PLHIV). Apesar do número de mortes associadas à tuberculose entre as pessoas que vivem com VIH ter vindo a diminuir progressivamente (diminuição de 33% entre 2005 e 2015), quase 60% dos casos desta patologia em pessoas que vivem com VIH não foram diagnosticados nem tratados, resultando em 390 mil mortes associadas à tuberculose em doentes VIH em 2015.
