Clinicamente caracteriza-se por episódios recorrentes de cessação total (apneias) ou parcial (hipopneias) do fluxo aéreo oronasal – ou seja, paragens involuntárias na respiração durante o sono – provocada por um colapso (obstrução) da via aérea superior durante o sono. Cada pausa de respiração pode durar entre 10 segundos e mais de um minuto e é acompanhada por uma diminuição de oxigénio no sangue, condicionando micro-despertares que fragmentam a estrutura do sono impedindo que seja profundo e reparador. Estes eventos podem ocorrer pelo menos cinco vezes por cada hora de sono.
O tratamento mais indicado para SAOS consiste no terapia com a pressão positiva contínua na via aérea, também commumente conhecido como CPAP (acrónimo do inglês “Continuous Positive Airway Pressure”). O CPAP, ou o auto-CPAP (na modalidade automática). É um tratamento contínuo e que, para ser eficaz, necessita de ser utilizado sempre que o doente dorme e deve ser utilizado durante todo o período de sono. Quer a utilização, quer a eficácia e outros indicadores relevantes são avaliados periodicamente pelo médico que acompanha o doente com SAOS sob terapia de CPAP ou auto-CPAP.
A digitalização nos cuidados de saúde, baseada na utilização de dados para uma melhor prestação de cuidados aos doentes, tem impactado o diagnóstico, terapêutica e reabilitação de várias áreas da saúde. No caso dos dispositivos CPAP’s e auto-CPAP’s temos assistido a uma evolução tecnológica no sentido de permitir a monitorização remota destes dispositivos médicos e proporciona uma oportunidade única de transformar a forma de fazer o seguimento destes doentes ao longo do seu tratamento, individualizando a intervenção de acordo com os dados recolhidos, capacitando o doente através da disponibilização de informação relevante e ajustando os recursos de acordo com as diferentes etapas do tratamento.
A Linde Saúde está a implementar o Projecto LISA® eSleep em vários hospitais do país, tendo como principal objectivo contribuir para a melhoria do processo de acompanhamento terapêutico dos doentes com SAOS. O LISA® eSleep assenta em três eixos fundamentais: tecnologia de dados, equipas de profissionais de saúde dedicadas e alinhamento do processo de acompanhamento do doente desde o hospital, cuidados de saúde primários aos cuidados respiratórios domiciliários. Este é um serviço personalizado que permite a interação precoce com o doente para garantir a adesão terapêutica, sendo efectuado pelo Centro de Gestão Clínica da Linde Saúde que conta com uma equipa interdisciplinar de profissionais de saúde – cardiopneumologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, farmacêuticos e psicólogos. O Centro de Gestão Clínica é o “coração” do projecto LISA® eSleep garantindo o interface entre o doente e o médico, procedendo à monitorização remota, com a frequência adequada, intervindo proactivamente, por contacto telefónico ou videochamada, sobretudo nas fases iniciais de adaptação à terapia quando surgem os principais problemas de adaptação, solicitando as intervenções das equipas domiciliárias e referenciando os casos relevantes para o médico que acompanha o doente.
Para o médico que efetue teleconsulta, os dados telemonitorizados, bem como a informação qualitativa da terapia recolhida pelo Centro de Gestão Clínica e pelas equipas domiciliárias podem ser um adjuvante pela via síncrona ou assíncrona da teleconsulta. A informação quantitativa obtida dos dispositivos médicos e a informação qualitativa obtida através do contacto telefónico, videochamada e na visita domiciliária, é partilhada com o médico, através do portal de acesso clínico LMD – LindeMedicalDirect®, de forma integrada e segura.
O projecto LISA® eSleep é mais um investimento da Linde Saúde na área da telemonitorização de doentes com patologia crónica, como resposta à COVID-19. Apesar de a SAOS não ser fator de risco para a COVID-19, muitos destes doentes têm comorbilidades como a obesidade, a diabetes, a hipertensão que os coloca no grupo de risco de complicações mais graves em caso de infeção por COVID-19, pelo que a sua circulação social e, especialmente, em hospitais ou centros de saúde deve ser acautelada e reduzida ao estritamente necessário, para sua proteção.
Esta transformação assistencial estimulada pela monitorização remota pode ser um fator de proteção para estes doentes de maior risco, permitindo manter o nível de qualidade dos cuidados e colmatar os hiatos assistenciais originados pelas restrições impostas pela pandemia da COVID-19. Contudo, é necessário salientar que as teleconsultas pelos médicos e as tele-visitas dos prestadores de cuidados respiratórios domiciliários não substituem o acompanhamento presencial e devem sempre ser ajustadas ao nível de risco de cada doente, ao longo do tempo.
O Projecto LISA® eSleep surge num contexto de pandemia e espera-se que seja um contributo sustentável para o sistema de saúde.
