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Inquérito demonstra falta de conhecimento dos portugueses sobre infertilidade

Estudo promovido pela APFertilidade, SPMR e Merck, confirma que 48,2 % das mulheres e 56,3 % dos homens desconhecem o que é a doação de gâmetas, e mais de 80 % dos portugueses ignora a existência da análise à hormona anti-mulleriana, teste que avalia a reserva ovárica.

O que sabem os portugueses sobre a fertilidade, como pode ser preservada, tratada ou diminuir os riscos de dificuldade em engravidar quando se quer ter filhos? Foi a resposta a estas questões que a Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade), a Sociedade Portuguesa de Medicina de Reprodução (SPMR) e a Merck procuraram saber através de um inquérito, realizado entre abril e maio deste ano, junto de 1000 pessoas. A principal conclusão é que a maioria sabe o que é a infertilidade (96,9 %), mas revela uma literacia em saúde reprodutiva longe de ser positiva.

Os resultados confirmam que há um desconhecimento quanto à idade fértil e a partir da qual começa a diminuir a capacidade reprodutora, qual a análise que pode ser realizada para conhecer a reserva ovárica das mulheres, quais as formas de prevenir a infertilidade ou o que é a doação de gâmetas.

Dos inquiridos, 52,3 % garantiram saber com que idade se atinge o potencial máximo da fertilidade, sendo que destes, 27,2 % indicaram os 20 anos como resposta correta, e 27,8 % os 25 anos. Na realidade, é considerado que a mulher está na sua melhor fase fértil entre os 20 e os 25 anos. Quanto à idade a partir da qual a fertilidade começa a diminuir, 72,5 % indicaram que sabiam a resposta, mas apenas 33,2 % acertaram que seria aos 35 anos.

E o que pode causar infertilidade? De acordo com o estudo, 31,8 % dos inquiridos não sabia responder, e dos 68,2 % que apontaram vários fatores, a idade da mulher surgiu como a principal causa (33,4 %), seguida dos hábitos tabágicos (30,1 %) e da obstrução/bloqueio das trompas de Falópio (26,0%).

Uma outra questão colocada no inquérito pretendeu apurar se os portugueses já tinham questionado um profissional de saúde sobre o tema, ou se, por outro lado, tinham sido inquiridos em unidades de saúde sobre fertilidade ou formas de prevenção. As respostas são clarificadoras quanto ao desinteresse em procurar esclarecimento (48,7 % dos inquiridos) ou não ter existido necessidade para tal (39,5 %). Por sua vez, quando a curiosidade partiu dos profissionais de saúde, 34,4 % indicaram que foram questionados por ginecologistas, 33,9 % pelo médico de família e 22,4 % por um médico de outra especialidade.

Na altura de colocar dúvidas, são as mulheres a tomar mais vezes a iniciativa (22,4 %) do que os homens (11,3 %), e as pessoas com as idades entre os 31 e os 44 anos (24,9 %) tendem a ser as mais curiosas.

Em relação às formas de prevenir a fertilidade, 54,4 % dizem desconhecer as que existem. Dos 45,6 % que conhecem, a alimentação equilibrada (28,1 %), a prática de exercício físico (24,2 %) e o não fumar (24,1 %) são as formas referidas de proteção para as mulheres, sendo a alimentação equilibrada (23,7 %), não fumar (21,7 %) e a prática de exercício físico (18,3 %) as que mais se destacam como protetoras dos homens.

Quanto à preservação da fertilidade, apenas 20,2 % das mulheres e 26,1 % dos homens não sabem em que consiste, e que é possível através do congelamento de óvulos ou espermatozoides. Existe ainda desconhecimento entre as mulheres quanto à forma de avaliar a sua reserva ovárica e poderem tomar medidas e procurar apoio, caso esta se revele baixa. De acordo com o estudo, 79,7 % das inquiridas não sabe da possível realização do teste à hormona anti-mulleriana (AMH), enquanto 69,5 % nunca pensou fazê-lo.

E se no momento de quererem ser pais, for necessário recorrer a tratamentos de fertilidade com ajuda de doação de óvulos e/ou espermatozoides? Mais de 48 % das mulheres não sabe o que é a dádiva de gâmetas, sendo que nos homens essa percentagem ascende aos 56 %.

Perante as conclusões do inquérito, que revelam um desconhecimento generalizado sobre a saúde reprodutiva, são os inquiridos a confirmar que já ouviram falar em infertilidade – 46,5 % através da comunicação social; 42,5 % por amigos/colegas e 40,9 % em campanhas nos media -, mas que é importante ter acesso a mais informação para aumentar a sua literacia (82,8 %), sendo as escolas (30,5 %), os centros de saúde (30,5 %) e o médico de família (30 %),  as principais fontes de informação.

Fica ainda a indicação quanto à pergunta principal quando se fala de infertilidade: ter filhos. Do total de inquiridos, 60,2 % já eram pais e dos restantes, 37,4 % indicaram que pretendem concretizar o seu projeto de parentalidade nos próximos 10 anos.

Terça-feira, 20 Junho 2023 15:59


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