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Madeira tem maior número de médicos mas há especialidades onde faltam profissionais

O Governo da Madeira considera que as medidas de incentivo para atrair e fixar médicos no Serviço Regional de Saúde (Sesaram) que foram tomadas tiveram efeitos positivos nos últimos anos.

Pedro Ramos, secretário regional de saúde, reforça que, entre 2019 e 2024, foram contratados 249 médicos, dos quais 92 não se especializaram na Madeira, valor que demonstram que o Sesaram “acolhe bem”.

“Temos mais especialidades, temos mais procedimentos, temos mais especialistas, temos uma produção que, no ano passado, atingiu recorde. […] Nós em 2015 tínhamos operado 11 000 doentes, no ano passado operámos 18 000 doentes”, recorda.

Para o secretário regional de saúde, este aumento deve-se às medidas de fixação que foram tomadas, ao aumento do número de recursos humanos e também ao novo bloco operatório do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, inaugurado no passado ano de 2024.

A partir de 2020, Pedro Ramos, começou a atribuir um subsídio de 700 euros a todos os médicos que fossem integrados no Sesaram, com o intuito de atrair e conseguir fixar estes profissionais na região. Esta medida tem um custo anual de cerca de cinco milhões de euros.

Uma outra medida que também foi implementada foi o pagamento de 50 euros por cada hora extraordinária que os médicos de família realizassem, já para os restantes médicos esse pagamento só entra em vigor a partir da 150ª hora. Apesar disto, o Governo Regional pretende que este pagamento seja igual para todos os profissionais de saúde, independentemente do número de horas extraordinárias realizadas anteriormente, medida que não pode ser tomada com o executivo em gestão.

Também está em vigor um decreto legislativo regional que permite uma remuneração de mais de 40 % em especialidades que sejam consideradas carenciadas. Pedro Ramos afirma ainda que não se justifica existirem medidas que beneficiem os profissionais de saúde de determinadas modalidades ou que vão trabalhar em determinados concelhos da região, o que o levou a admitir que terão de surgir soluções de habitação para atrair médicos para o novo centro de saúde do Porto Santo, que está em construção atualmente.

O Governo Regional apontou a Cardiologia, a Pedopsiquiatria, a Radiologia e a Cirurgia Vascular como as especialidades com mais dificuldades. Ao falar concretamente da Pedopsiquiatria, Pedro Ramos, aponta que há falta de profissionais na área.

A delegada regional do Sindicato Independente dos Médicos, Lídia Ferreira, reforça que o executivo, durante estes últimos anos, fruto também das negociações com o sindicato, tomou medidas “profícuas para criar condições para a atividade e para a valorização do trabalho médico na Madeira”.

O diploma da dedicação plena, que já se encontra em vigor a nível nacional e que prevê um aumento salarial de 25 % para os médicos que dediquem mais cinco horas semanais ao Serviço Nacional de Saúde (perfazendo 40 horas) era uma das medidas que estavam a ser negociadas.

“Estamos à espera da estabilidade governativa, do novo governo e dos novos interlocutores para que então possamos voltar à mesa negocial e trabalhar na saúde da nossa região, na valorização dos médicos da região, mas essencialmente na valorização do Serviço Regional de Saúde, porque uma coisa não está desligada da outra, pelo contrário, estão ambas interligadas”, aponta a delegada regional do Sindicato Independente dos Médicos.

Já Letícia Abreu, representante do Sindicato dos Médicos da Zona Sul, na Madeira, defende que as medidas tomadas com o objetivo de se conseguir fixar médicos na região “têm funcionado bastante bem” e que as dificuldades que se sentem em algumas especialidades médicas se devem a questões burocráticas.

Fonte: Lusa

Terça-feira, 18 Fevereiro 2025 17:53


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