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Novo estudo alerta para desafios no acesso a medicamentos na Europa, incluindo em Portugal

 Um novo estudo independente, realizado na Europa pela New Angle, uma agência de consultoria e pesquisa, e patrocinado pela Viatris, uma empresa farmacêutica, investiga as razões por trás da indisponibilidade de medicamentos. Embora se concentre particularmente nos antibióticos como case-study, que são vitais para a saúde pública, o estudo também ilustra os riscos que afetam o fornecimento de todos os medicamentos sem patente.

O estudo, intitulado “Securing access, improving lives. Strengthening patients’ access to off-patent medicines in Europe” e realizado em 16 países europeus, concluiu que, entre 2020 e 2024, o aumento dos custos de produção – incluindo um aumento de 31,6% nos preços industriais, 25,7% na mão de obra, picos de energia e aumento dos custos dos materiais imprescindíveis à produção — combinados com a descida dos preços dos medicamentos, criaram um ambiente insustentável que leva a que os fornecedores sejam forçados a sair do mercado e, assim, a colocar em risco o acesso dos doentes aos medicamentos.

Os resultados mostram que, entre 2020 e 2024, o preço médio dos 10 antibióticos essenciais mais vendidos caiu 10%, apesar dos aumentos acentuados nos custos de produção e na inflação. Só a amoxicilina registou uma queda de preço de quase 19% e foi uma das mais afetadas pela escassez generalizada relatada nestes antibióticos em meados de 2025. Esta disparidade insustentável está a levar à saída de empresas do mercado, limitando ainda mais o acesso dos doentes a medicamentos essenciais.

Os dados destacam a necessidade urgente de reformas nos sistemas nacionais de preços para proteger o acesso a esses medicamentos essenciais, que são fundamentais para a saúde pública e para o cuidado do doente.

Sobre as conclusões do estudo, Margarida Bajanca, investigadora principal da New Angle, sublinha: “Os antibióticos sem patente são uma base essencial dos cuidados de saúde, permitindo o tratamento de rotina de infeções e constituindo o padrão estabelecido para a profilaxia cirúrgica. O nosso estudo mostra que, embora os preços continuem a cair, como resultado direto das regras de fixação de preços e aquisição pública, os custos de produção destes medicamentos estão a aumentar acentuadamente, ameaçando a sua viabilidade e disponibilidade a longo prazo. Sem reformas específicas — tais como ajustes de preços indexados à inflação, preços mínimos ou modelos de preços diferenciados —, os doentes em toda a Europa correm o risco de perder o acesso a estes tratamentos, o que poderia comprometer a saúde pública e acelerar a resistência aos antimicrobianos”.

O estudo analisou o preço e a disponibilidade de antibióticos sem patente, ao longo de quatro anos (2020-2024), em 16 países europeus: Áustria, Bélgica, Croácia, Estónia, Finlândia, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Estes países representam uma amostra diversificada dos sistemas de saúde e das condições de mercado em toda a Europa.

Quinta-feira, 02 Outubro 2025 15:59


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