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CUF e Fundação Amélia de Mello atribuem 150 mil euros a projeto para melhorar a recuperação cognitiva após AVC

Pedro Nascimento Alves, investigador da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, é o vencedor da edição 2025/2026 da Bolsa CUF D. Manuel de Mello, o maior prémio nacional de incentivo à investigação para jovens médicos. O projeto vai testar uma abordagem de tratamento personalizado, baseado no mapeamento dos circuitos de neurotransmissores, com o objetivo de melhorar sequelas cognitivas frequentes após AVC, como alterações da memória, linguagem e atenção.

Pedro Nascimento Alves, médico e investigador da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, recebe a Bolsa CUF D. Manuel de Mello 2025/2026, no valor de 150 mil euros, para desenvolver o projeto de investigação “Modulação personalizada de neurotransmissores após AVC – ensaio clínico aleatorizado de fase II”. Promovida pela CUF e pela Fundação Amélia de Mello, esta bolsa bienal aumenta nesta edição de 100 mil para 150 mil euros, reforçando o seu estatuto como o maior prémio nacional de incentivo à investigação para jovens médicos.

O projeto vencedor pretende responder a um problema com forte impacto na vida dos doentes que sofreram um Acidente Vascular Cerebral: as sequelas cognitivas. Após um AVC, alguns doentes recuperam a força muscular e a capacidade de andar, mas mantêm dificuldades na memória, na linguagem ou na atenção, que limitam a realização de tarefas do dia a dia e podem comprometer de forma significativa a sua autonomia e qualidade de vida.

A investigação parte de uma técnica inovadora que permite mapear os circuitos de neurotransmissores afetados pelo AVC. O cérebro funciona através de redes de neurónios que comunicam entre si por meio de substâncias químicas, os neurotransmissores. Quando ocorre um AVC, determinadas regiões cerebrais são lesadas e essa comunicação pode ficar alterada. O objetivo da investigação é identificar, em cada doente, quais os circuitos afetados e orientar, a partir desse mapeamento, tratamentos farmacológicos personalizados.

“Este projeto procura perceber se, ao identificarmos os circuitos de neurotransmissores lesados pelo AVC, conseguimos selecionar medicamentos já existentes para modular esses circuitos e melhorar a recuperação dos doentes”, explica Pedro Nascimento Alves. “A ambição é caminhar para uma abordagem mais personalizada: perceber que circuito foi afetado em cada pessoa e adaptar o tratamento a essa alteração específica.”

Para desenvolver esta ferramenta, a equipa de investigação recorreu a técnicas avançadas de ressonância magnética (como a tratografia), e a exames de medicina nuclear – PET. No entanto, a aplicação do mapeamento pode ser feita a partir de exames de imagem já realizados no percurso clínico habitual, como a TAC, sem necessidade de exames adicionais para o doente.

O projeto será desenvolvido como um ensaio clínico de fase II, com 100 doentes: 50 no grupo ativo e 50 no grupo de controlo. Os participantes serão acompanhados na Unidade de AVC do Hospital de Santa Maria, iniciando a medicação nos primeiros sete dias após o AVC, com avaliações aos três e aos seis meses. O estudo terá uma duração prevista de dois anos.

A equipa envolvida integra a Unidade de AVC do Hospital de Santa Maria, o Laboratório de Estudos de Linguagem da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, e o Centro de Investigação Clínica do Hospital de Santa Maria, reunindo neurologistas, neuropsicólogos, enfermeiros, farmacêuticos e coordenadores de investigação.

Nesta edição, o júri da Bolsa CUF D. Manuel de Mello atribui ainda uma Menção Honrosa a Ricardo Jorge Ferreira Taipa, investigador do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, pelo projeto “Angiopatia amiloide cerebral por transtirretina: perspetivas neuropatológicas e mecanísticas”, dedicado ao estudo da forma como o sistema nervoso central é afetado na amiloidose hereditária por transtirretina, uma doença com elevada prevalência em Portugal.

Rui Diniz, Presidente da Comissão Executiva da CUF, considera que “a Bolsa CUF D. Manuel de Mello é um instrumento fundamental para apoiar a investigação clínica em Portugal e para aproximar o conhecimento científico da prática médica. Ao distinguir projetos com potencial de impacto direto na vida dos doentes, a CUF reafirma o seu compromisso com a inovação, com a cooperação com as universidades e com a melhoria contínua dos cuidados de saúde.”

Vasco de Mello, Presidente da Fundação Amélia de Mello, sublinha que “apoiar jovens médicos investigadores é investir no futuro da Medicina em Portugal. A Fundação Amélia de Mello tem procurado contribuir para que o conhecimento gerado pela investigação clínica possa traduzir-se em melhores respostas para os doentes e para o sistema de saúde. Esta Bolsa reflete precisamente essa missão.”

Com 18 anos de história, a Bolsa CUF D. Manuel de Mello já apoiou mais de uma dezena de projetos de investigação clínica em áreas como AVC, Alzheimer, lúpus, doença coronária, tuberculose, doença pulmonar, oncologia e saúde mental. A edição 2025/2026 reforça o compromisso da CUF e da Fundação Amélia de Mello com a evolução do conhecimento médico em Portugal e com a valorização da investigação desenvolvida por jovens médicos.

O aumento do valor da Bolsa CUF D. Manuel de Mello, de 100 mil para 150 mil euros, traduz o compromisso crescente da CUF e da Fundação Amélia de Mello com a valorização da investigação clínica em Portugal e com o apoio a jovens médicos investigadores, contribuindo para acelerar projetos com potencial de impacto direto na prática clínica e na vida dos doentes.

Segunda-feira, 01 Junho 2026 10:00


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