Promovida pela News Farma, a segunda sessão das #BreakTalks centrou-se no “Tratamento dos comportamentos aditivos: estratégias públicas e respostas no terreno”. O painel de discussão contou com a participação do psicólogo clínico João Faria, que colocou a tónica da sua intervenção na urgência de apostar na prevenção precoce, rejeitando políticas restritivas em prol de um modelo de regulação e literacia digital nas escolas.
Embora atue diretamente na área do tratamento, João Faria confessa que o cenário ideal seria “tratar menos e poder ter mais notícias sobre como a prevenção seria feita”. Para o psicólogo clínico, a intervenção preventiva deve começar o mais cedo possível, atribuindo à escola um “papel absolutamente fundamental” na literacia das crianças e dos respetivos pais. Esta abordagem pedagógica deve iniciar-se logo no ensino pré-escolar, transmitindo mensagens claras sobre os benefícios e os malefícios dos ecrãs, e explicando de forma real os danos de uma utilização desregulada. Ao privilegiar a regulação em vez da proibição, ensina-se a lidar com uma tecnologia incontornável e benéfica, tanto para a aprendizagem presente como para a futura profissão. Se a escola se demitir deste tema, alerta o especialista, falha no seu papel de formar adultos menos vulneráveis às adições.
Na visão do psicólogo, alcançar uma abstinência total dos ecrãs é “praticamente impossível”, relatando que já existem casos de pacientes que conseguem contornar repetidamente as regras impostas. João Faria adverte que a proibição — seja em casa ou na instituição escolar — gera apenas um “artificialismo”, originando na criança ou jovem uma vontade ainda maior de aceder ao material bloqueado assim que a interdição termina, uma consequência negativa já comprovada por alguns indicadores. Neste contexto contemporâneo, a adoção de um sistema de regulação e minimização de danos revela-se não só “muito mais eficaz”, mas também “muito mais realista”.
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