Dedicada a explorar os novos desafios da área das dependências, a segunda sessão das #BreakTalks — uma iniciativa com a chancela da News Farma, subordinada ao tema “Tratamento dos comportamentos aditivos: estratégias públicas e respostas no terreno” — serviu de palco à reflexão de Elsa Lavado. A técnica superior na Unidade de Estatística e Investigação do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD) alertou que a sociedade atual está a transitar de um paradigma focado na gestão de consumos para uma complexa gestão de riscos.
Durante a sua intervenção, a especialista manifestou preocupação com a crescente aceitação de certos comportamentos, destacando o exemplo do jogo. Elsa Lavado sublinhou a enorme dificuldade prática em estabelecer a fronteira que separa um hábito diário da perda de controlo e da dependência. Deixando o aviso claro de que a “normalização não é sinónimo de segurança”, a técnica do ICAD defendeu uma alteração estrutural na abordagem: as áreas da prevenção, da redução de riscos e minimização de danos, e do tratamento já não devem operar isoladamente como fases sucessivas, mas sim “trabalhar em conjunto num ecossistema coerente e único”.
Para compreender e atuar sobre estas dinâmicas sociais fluidas, Elsa Lavado enfatizou o papel vital da monitorização contínua através de estudos quantitativos e qualitativos promovidos pelo ICAD. Mencionando inquéritos nacionais à população, avaliações no Dia da Defesa Nacional, diagnósticos a jovens e relatórios focados no ecrã, a especialista explicou que o acompanhamento destas tendências é crucial. O objetivo final destas investigações, rematou, passa por “nortear e dar pistas para que as políticas públicas possam, de forma mais eficaz, dar resposta a este novo panorama de riscos”.
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