A Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS de Coimbra) deu início à Via Verde de Choque Cardiogénico, um programa estruturado de resposta rápida a uma das situações clínicas de maior gravidade na área cardiovascular. O choque cardiogénico — condição em que o coração deixa de conseguir assegurar um débito cardíaco suficiente para as necessidades vitais do organismo — está associado a uma mortalidade que pode superar os 50%, tornando a rapidez e a coordenação da resposta clínica determinantes para o prognóstico do doente.
“A ULS de Coimbra assume o papel de centro de referência (hub) para a Região Centro, integrando uma rede alargada que inclui as unidades hospitalares de Aveiro, Leiria, Viseu e Figueira da Foz como centros de apoio (spokes)”, explica Lino Gonçalves, Diretor do Serviço de Cardiologia. “Esta rede regional assegura que um doente com choque cardiogénico identificado nestes hospitais beneficia de acesso imediato a cuidados diferenciados, independentemente do local onde se encontra quando a situação ocorre”, explica o cardiologista.
O modelo de funcionamento da Via Verde de Choque Cardiogénico é marcadamente multidisciplinar, envolvendo uma articulação permanente entre os Serviços de Cardiologia, Medicina Intensiva e Cirurgia Cardíaca, nos casos que requeiram abordagem cirúrgica ou suporte mecânico avançado, entre outras.
A Via Verde assenta em três pilares operacionais fundamentais. O primeiro é a referenciação precoce: a identificação atempada dos doentes nos centros da rede, logo que surgem os primeiros sinais de instabilidade hemodinâmica. O segundo é a agilização dos contactos: protocolos de comunicação direta entre os hospitais da rede e a equipa de referência em Coimbra, eliminando demoras desnecessárias na tomada de decisão. O terceiro é a otimização do transporte inter-hospitalar: coordenação logística que garante a transferência segura e célere dos doentes para o nível de cuidados adequado.
“Esta convergência de competências, num único protocolo de atuação, representa um passo significativo na integração de cuidados cardiológicos complexos na ULS de Coimbra”, destaca Francisco Maio Matos, Presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra. “O objetivo final é claro: reduzir a mortalidade por choque cardiogénico na Região Centro, aproximando os doentes, independentemente da sua localização geográfica, das melhores opções terapêuticas disponíveis, tratando assim os seus doentes com base na melhor evidência científica”, acrescenta.
“A criação da Via Verde de Choque Cardiogénico vem reforçar o compromisso da ULS de Coimbra com uma prestação de cuidados cada vez mais integrada, diferenciada e centrada nas necessidades dos utentes, baseada na colaboração entre as várias especialidades e os diferentes níveis de cuidados, possibilitando, assim, uma efetiva integração”, conclui o responsável.