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Estudo revela que diferentes mecanismos da raiva podem exigir terapias personalizadas

Em entrevista à News Farma, Liliana Capitão, investigadora no Centro de Investigação em Psicologia (CIPsi) da Universidade do Minho e responsável pelo projeto “Anger in the mind and body: From unconscious cognitive mechanisms to psychophysiological and neural substrates”, apoiado pela Fundação Bial, explicou como diferentes mecanismos cerebrais, cognitivos e fisiológicos estão envolvidos na experiência da raiva. As conclusões sugerem que pessoas com dificuldades na regulação emocional poderão beneficiar de abordagens terapêuticas diferenciadas e mais personalizadas.

Apesar de ser uma emoção fundamental para a adaptação humana, a raiva continua a ser uma das emoções menos estudadas pela ciência. Liliana Capitão explicou que dificuldades na sua regulação estão associadas a diversas perturbações de saúde mental, problemas interpessoais e até a um maior risco de doença cardiovascular. Por isso, compreender como cérebro, organismo e comportamento interagem para gerar e regular esta emoção constitui um dos grandes desafios da investigação atual.

Durante o projeto, a equipa encontrou resultados inesperados. A investigadora revelou que a relação entre a raiva e o processamento de sinais de ameaça é muito mais complexa do que inicialmente se pensava. Em vez de existir um único mecanismo responsável pela forma como respondemos à raiva, os resultados demonstraram que diferentes formas de experienciar e regular esta emoção se refletem em padrões distintos de processamento inconsciente, perceção consciente e funcionamento do sistema nervoso autónomo. Segundo Liliana Capitão, esta visão integrada ajuda a explicar porque diferentes pessoas experienciam e regulam a raiva de formas tão distintas.

Questionada sobre o impacto clínico destas conclusões, a investigadora considera que os resultados poderão contribuir para desenvolver intervenções terapêuticas mais eficazes para pessoas com perturbações da regulação emocional. Em declarações à News Farma, explicou que duas pessoas com dificuldades em controlar a raiva podem apresentar mecanismos biológicos diferentes e, por isso, necessitar de estratégias terapêuticas distintas. No futuro, identificar quais os processos alterados em cada indivíduo poderá permitir desenvolver abordagens mais personalizadas, bem como utilizar marcadores cognitivos e fisiológicos para monitorizar objetivamente a resposta aos tratamentos. A investigadora admite ainda que este conhecimento poderá abrir caminho ao desenvolvimento de estratégias de biofeedback dirigidas à regulação das respostas fisiológicas associadas à raiva.

Liliana Capitão sublinha igualmente que o apoio da Fundação Bial foi decisivo para concretizar uma investigação desta dimensão. O financiamento permitiu integrar tarefas cognitivas de processamento emocional, monitorização fisiológica e técnicas de neuroimagem funcional, reunindo uma equipa multidisciplinar e equipamentos altamente especializados que dificilmente teriam sido possíveis de outra forma.

Para o futuro, a investigadora acredita que o projeto estabelece uma base sólida para identificar marcadores cognitivos, fisiológicos e cerebrais associados à vulnerabilidade para dificuldades na regulação da raiva. Este conhecimento poderá apoiar estudos longitudinais e clínicos e contribuir, a longo prazo, para estratégias mais precoces, objetivas e personalizadas na prevenção e tratamento de perturbações em que esta emoção desempenha um papel central.

A Fundação Bial tem aberto novo programa de Apoios a Projetos de Investigação Científica nas áreas da Psicofisiologia e da Parapsicologia, com o objetivo de incentivar o estudo científico do ser humano, tanto do ponto de vista físico como espiritual. O regulamento e a documentação do programa estão disponíveis aqui. As candidaturas vão estar abertas até 31 de agosto de 2026.

Segunda-feira, 03 Agosto 2026 11:39


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