A terceira e última sessão das BreakTalks, promovida pela News Farma, encerrou o ciclo de debates colocando em reflexão as mudanças necessárias nas políticas públicas para acompanhar os avanços científicos e reforçar as estratégias de redução de danos. O encontro reuniu um painel de especialistas constituído por João Goulão, perito na gestão de comportamentos aditivos, Paulo Vitória, psicólogo e professor na Universidade da Beira Interior, João Faria, psicólogo clínico, José Queiroz, psicólogo e presidente da Agência Piaget para o Desenvolvimento – APDES, Elsa Lavado, da Unidade de Estatística e Investigação do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências – ICAD e Elsa Belo, diretora técnica da Associação Ares do Pinhal, que alertaram para a urgência de adaptar o sistema sem desmantelar as respostas existentes. Veja o vídeo best of.
Durante a sessão, os peritos convergiram na ideia de que os novos desafios trazidos pelas adições sem substância (como os videojogos, o gambling ou o uso problemático de ecrãs) não podem significar a desativação ou o desvio de recursos das respostas já consolidadas para os consumos tradicionais de substâncias, como as drogas duras ou o álcool. Para proteger a população, salientou-se a urgência de atualizar o enquadramento legislativo e a literacia desde a infância — com formação preventiva desde o ensino pré-escolar —, ao mesmo tempo que se apelou a uma maior regulamentação sobre produtos aditivos e ao combate a pressões populistas que ameacem a matriz humanista do modelo português.
No plano da intervenção e da redução de danos, o painel destacou a necessidade de desburocratizar o sistema, encurtar a distância entre a produção de dados estatísticos e o terreno e acabar com o isolamento institucional. Defendeu-se uma abordagem integrada e multissetorial, que una a saúde à ação social e à habitação, crie pontes entre os setores público e privado e promova “portas abertas” e empáticas nos serviços. Além disso, propôs-se o reforço do financiamento e a descentralização dos cuidados através dos Cuidados de Saúde Primários e da gestão comunitária local, garantindo que as políticas públicas se moldem de forma ágil às reais necessidades e ao sofrimento dos utentes.
