Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), publicado na Revista Portuguesa de Cardiologia, reforça o papel da lipoproteína(a) [Lp(a)] como fator de risco cardiovascular independente e defende a sua medição pelo menos uma vez na vida. A investigação, realizada em doentes internados por síndrome coronária aguda, revelou que cerca de 39% apresentavam níveis de Lp(a) superiores a 100 nmol/L e um em cada cinco ultrapassava os 175 nmol/L.
Os resultados evidenciam uma associação particularmente forte entre níveis elevados de Lp(a) e síndrome coronária aguda nas mulheres e nos indivíduos mais jovens. Para o cardiologista Ricardo Fontes-Carvalho, professor da FMUP e um dos autores do estudo, estes dados sugerem que este marcador poderá contribuir para identificar mulheres aparentemente saudáveis, mas geneticamente predispostas a enfarte ou outros eventos cardiovasculares, permitindo uma prevenção mais precoce e personalizada.
A investigação demonstrou ainda que esta associação se mantém independentemente de fatores de risco tradicionais, como colesterol LDL, diabetes, hipertensão arterial ou tabagismo. Os autores verificaram igualmente que os níveis de Lp(a) não se correlacionam com outros parâmetros lipídicos, reforçando o seu valor como marcador autónomo de risco. Determinada sobretudo pela genética e estável ao longo da vida, a Lp(a) permanece fora das análises de rotina, apesar das recomendações internacionais defenderem a sua avaliação universal numa única medição.