Paulo Vitória, psicólogo e professor na Universidade da Beira Interior, participou nas Break Talks e faz um balanço estimulante dos debates, alertando para o crescimento global e multifacetado das dependências em Portugal. Perante um cenário que vai do consumo de substâncias clássicas ao vício em ecrãs, internet e videojogos, o clínico propõe combater a escassez de recursos através da cooperação e da cidadania ativa, sugerindo uma reforma urgente na forma como as instituições comunicam entre si. Assista à entrevista.
Ao analisar o panorama nacional, o especialista sublinhou que o país enfrenta “uma nova vaga de problemas velhos” num contexto de sociedade aberta e tendências internacionais crescentes. A gama atual de dependências abrange desde drogas ilícitas, álcool e psicofármacos até ecrãs, videojogos e pornografia, muitas vezes com novas apresentações e roupagens que exigem maior estudo. Para o clínico, o desenho de melhores respostas depende da fusão de serviços especializados, como o ICAD, com a rede geral do Serviço Nacional de Saúde e a sociedade civil.
O médico sugeriu que a atual falta de recursos nos serviços públicos diferenciados deve ser aproveitada como um estímulo à inovação, contrariando a ideia errada de que os Cuidados de Saúde Primários não devem intervir nesta área. Propõe, por isso, o uso estratégico das estruturas existentes para descentralizar o apoio. “Temos menos recursos, então talvez os tenhamos de usar de maneira diferente”, afirmou, incentivando os centros de saúde locais a colaborarem ativamente no acompanhamento dos utentes.
No plano prático, o especialista defendeu que o combate às adições também desafia a responsabilidade individual, instigando cada cidadão a ser um agente de saúde na sua própria comunidade. Paulo Vitória enfatizou que o foco deve estar no autocuidado e na atenção aos familiares e vizinhos, gerando microimpactos sociais positivos. “Não podemos transformar o grande mundo, mas podemos com certeza ter impacto no nosso pequeno mundo”, destacou o clínico, valorizando a consciencialização de proximidade.
Como prioridade máxima para acelerar a resposta do país, Paulo Vitória elegeu o fim do isolamento institucional, defendendo uma articulação fluida que aproxime o Estado, o setor privado e outras pastas governamentais. A sua grande recomendação para o terreno assenta numa estratégia de união de esforços: “Eliminar barreiras e construir pontes entre serviços públicos, serviços da saúde e serviços de outras áreas, mas também eliminar barreiras e estabelecer pontes entre o público e o privado”.
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