No dia 25 de setembro assinala-se o Dia Mundial do Farmacêutico. É uma oportunidade para reconhecer uma profissão que naturalmente associamos ao medicamento, ao aconselhamento e à proximidade com os cidadãos. Mas há uma dimensão menos visível desse trabalho que merece igualmente ser lembrada: o seu importante e fundamental papel quando o medicamento deixa de ser necessário.
Todos temos medicamentos em casa. Uma caixa que sobrou de um tratamento, um xarope que passou de prazo, comprimidos que já não são utilizados, fazem parte do quotidiano de milhões de famílias e, precisamente por isso, existe uma pergunta que deveria ser tão natural como saber quando e como os devemos tomar: que destino lhes devemos dar quando já não precisamos deles?
Apesar do último inquérito/sondagem que realizamos ter apontado que 64% dos portugueses entrega nas farmácias e/ou lojas de saúde/parafarmácias os medicamentos e embalagens que já não necessitam, a resposta ainda não é suficientemente conhecida.
Medicamentos fora de uso ou de prazo não podem ser tratados como resíduos domésticos indiferenciados. Não devem ser colocados no lixo comum, separados nos ecopontos, nem despejados no lavatório ou na sanita. Existe um circuito próprio para a sua recolha e tratamento e, nesse circuito, as farmácias e as lojas de saúde/parafarmácias aderentes ao sistema VALORMED desempenham um papel fundamental.
É talvez um dos exemplos mais interessantes de como uma infraestrutura que associamos à prestação de cuidados de saúde pode também contribuir para a protecção ambiental.
Para grande ou maior parte da população, as farmácias são os pontos de saúde mais próximos e acessíveis. É onde procuramos aconselhamento, esclarecemos dúvidas, adquirimos os medicamentos de que necessitamos e encontramos profissionais em quem confiamos. Essa relação de proximidade torna-a também um lugar privilegiado para promover comportamentos responsáveis depois da utilização do medicamento.
Porque recolher é apenas uma parte do processo, é igualmente importante explicar.
Mas o que pode ser entregue? Medicamentos fora de uso ou de prazo e as embalagens que estiveram em contacto com esses medicamentos. E o que não pertence a este circuito? Aqueles produtos que naturalmente associamos a “saúde”, como agulhas e seringas com agulhas não descartáveis, material de penso, termómetros, aparelhos eléctricos ou electrónicos, entre tantos outros que exigem destinos diferentes.
Pode parecer uma distinção simples, mas é precisamente neste tipo de decisões quotidianas que a literacia ambiental e em saúde se torna relevante.
Quando um cidadão entra num ponto de recolha VALORMED com medicamentos que já não utiliza e pergunta onde os deve entregar, há muito mais a acontecer do que a simples deposição de uma embalagem num contentor. Existe um profissional que pode esclarecer, orientar e ajudar a criar um hábito. E os hábitos contam.
Quanto mais natural for devolver os medicamentos que deixámos de utilizar, menor será a probabilidade de estes acabarem em circuitos inadequados. É um gesto pequeno à escala de cada pessoa, mas significativo quando multiplicado por todos os pontos de recolha e pelos milhões de portugueses que todos os anos utilizam medicamentos.
Há também aqui uma ideia de responsabilidade partilhada que merece ser valorizada. A sustentabilidade do medicamento não depende apenas de quem o produz ou distribui. Depende de uma cadeia que envolve indústria, distribuição, farmácias, lojas de saúde/parafarmácias, profissionais de saúde e cidadãos. Cada um intervém num momento diferente, mas todos contribuem para que o ciclo seja concluído de forma responsável.
Ao cidadão cabe um gesto particularmente simples: não guardar indefinidamente aquilo de que já não necessita e não eliminar medicamentos através do lixo doméstico, ecopontos ou esgotos. Ao farmacêutico cabe algo que faz parte da própria essência da profissão: informar e orientar.
Num tempo em que falamos tanto de sustentabilidade, economia circular e responsabilidade ambiental, talvez seja útil recordar que algumas das mudanças mais eficazes não começam necessariamente em grandes decisões. Começam em comportamentos quotidianos, repetidos por muitas pessoas.
Levar aos pontos de recolha VALORMED os medicamentos e embalagens que já não utilizamos é um desses comportamentos.
Por isso, neste Dia Mundial do Farmacêutico, vale a pena reconhecer também esta dimensão menos conhecida de uma profissão profundamente ligada à comunidade. O farmacêutico não está apenas presente quando começa a utilização de um medicamento. Pode ajudar-nos também a garantir que, quando esse medicamento deixa de ser necessário, sabemos o que fazer com ele.
E fechar corretamente esse ciclo é, simultaneamente, uma forma de cuidar da nossa saúde, da saúde dos outros e do ambiente.
