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Estudo português revela que quase 8 em cada 10 adultos hospitalizados com VSR pertencem a grupos de elevado risco

O vírus sincicial respiratório (VSR), frequentemente associado às infeções respiratórias das crianças, está a ter um impacto particularmente grave na população adulta mais vulnerável. Novos dados portugueses, apresentados nas 12.ªs Jornadas do  Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP) da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), a decorrer entre 8 e 9 de outubro, em Coimbra, mostram que quase 80% dos adultos hospitalizados com VSR pertencem a grupos de elevado risco, acumulando doenças crónicas que aumentam significativamente a probabilidade de complicações graves.

Os resultados permitem, ainda, comparar diretamente o impacto do VSR com o da gripe sazonal. A análise mostra que os doentes hospitalizados com VSR registaram uma maior frequência de complicações graves do que os doentes internados com gripe. A falência respiratória ocorreu em 60,3% dos casos de VSR, comparativamente a 35,1% nos doentes com gripe. Foram também observadas taxas superiores de infeção bacteriana secundária (54,8% vs. 34,2%), eventos vasculares (48,7% vs. 28,1%) e doença renal aguda (40,3% vs. 24,6%). A mortalidade intra-hospitalar foi igualmente superior entre os doentes com VSR (18,3% vs. 15,8%).

Os resultados são de uma investigação realizada na Unidade Local de Saúde Entre Douro e Vouga, que analisou seis anos de atividade hospitalar, entre 2018 e 2024. Entre quase 15 mil internamentos por infeções respiratórias agudas, foram identificados 345 casos confirmados de VSR, permitindo caracterizar, pela primeira vez nesta região, o impacto clínico da doença em adultos.

A análise demonstra que o VSR afeta, sobretudo, pessoas mais velhas e fragilizadas. Mais de 90% dos internamentos ocorreram em pessoas com 60 ou mais anos, sendo particularmente frequentes situações de imunossupressão (44,4%), diabetes (38,3%) e obesidade (38,0%). No total, 78,3% dos doentes apresentavam, pelo menos, uma condição considerada de alto risco. Os investigadores observaram, igualmente, uma carga clínica muito significativa. Cerca de seis em cada dez doentes desenvolveram falência respiratória (60,3%), enquanto a mortalidade intra-hospitalar atingiu 18,3%, o equivalente a quase um em cada cinco doentes internados com VSR. O VSR esteve sempre associado a mais falência respiratória, mais eventos vasculares, mais infeções secundárias, mais lesão renal aguda e maior mortalidade do que a gripe.

“Estes resultados mostram que o VSR é uma ameaça muito relevante para os adultos mais vulneráveis, particularmente numa população cada vez mais envelhecida e com múltiplas doenças crónicas. Estamos perante uma infeção frequentemente subvalorizada, mas que está associada a complicações graves, elevada mortalidade e pressão significativa sobre os serviços de saúde”, afirma  Gonçalo Sarmento, médico internista da Unidade Local de Saúde Entre Douro e Vouga e investigador do estudo.

O retrato de uma doença associada ao envelhecimento

Os dados revelam, ainda, que a atividade do VSR segue um padrão sazonal muito marcado, concentrando-se nos meses de outono e inverno. A época com maior prevalência foi a de 2022/2023, quando mais de um em cada dez doentes testados para vírus respiratórios teve resultado positivo para VSR.

Face ao envelhecimento acelerado da população portuguesa, os investigadores alertam que a carga da doença poderá aumentar nos próximos anos, reforçando a importância da vigilância epidemiológica, do reconhecimento do risco associado ao VSR e da adoção de estratégias preventivas dirigidas aos grupos mais vulneráveis.

Quinta-feira, 08 Outubro 2026 12:57


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