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Integração de cuidados no SNS em Portugal permanece como um dos maiores desafios estruturais na saúde do país

A Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) acaba de apresentar os resultados da terceira edição do Barómetro de Integração de Cuidados (BIC), um estudo realizado pela EY Portugal que avaliou a perceção de 2.676 profissionais de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS), de 39 Unidades Locais de Saúde (ULS), sobre o nível de integração de cuidados nas suas unidades. As principais conclusões revelam uma pontuação global de 3,29 pontos numa escala de 1 a 5, mantendo-se inalterada face à edição anterior, e apontam para a necessidade de reforçar os mecanismos de coordenação, partilha de informação e gestão integrada.

O BIC é uma iniciativa promovida pela APAH, com o apoio técnico da EY e dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), apoio da Bayer Portugal e apoio institucional da Portuguese Association for Integrated Care (PAFIC). O questionário foi constituído por 53 afirmações, divididas por 6 dimensões: clínica, informação, normativa, administrativa, financeira e sistémica, que foram avaliadas numa escala de 1 a 5 de acordo com o nível de concordância ou “NS – Não Sei” caso o inquirido não tenha informações suficientes para avaliar conscientemente uma questão.

De acordo com Xavier Barreto, presidente da APAH, “o Barómetro de Integração de Cuidados assume um papel importante na identificação das áreas que exigem maior atenção e investimento para melhorar a articulação entre unidades e a continuidade dos cuidados prestados aos utentes. A manutenção da pontuação global face à edição anterior demonstra que ainda existem desafios por ultrapassar. É, por isso, essencial dar continuidade a este trabalho, reforçando o compromisso, a liderança e os recursos necessários para superar as fragilidades identificadas e alcançar melhores resultados”.

Os diferentes grupos profissionais dentro do SNS têm perceções diferentes da integração de cuidados, influenciadas pelos seus papéis e pelas Unidades em que trabalham. Segundo Hermano Rodrigues, Principal Parthenon, Strategy & Execution da EY Portugal, “este estudo dá voz a quem está no terreno e mostra que compreender a realidade é o primeiro passo para transformar os desafios da integração de cuidados de saúde em oportunidades de evolução”.

Entre as seis dimensões avaliadas, a Normativa continua a apresentar a perceção mais positiva, com 3,97 pontos, refletindo o reconhecimento da existência de normas, regulamentos e referenciais comuns às unidades que integram as ULS.  Em sentido inverso, a Dimensão Financeira é a que regista pior desempenho (2,90), com 52% dos profissionais a afirmarem “não saber” responder a questões relacionadas com financiamento.

A comparação em função do tempo de funcionamento das ULS indica que as unidades criadas antes de 2024 apresentam uma perceção global mais positiva da integração de cuidados (3,42 pontos) do que as mais recentes (3,28 pontos). Embora as primeiras continuem a registar melhores resultados, a diferença entre os dois grupos diminuiu face à edição anterior. Esta aproximação poderá estar associada à consolidação progressiva do modelo de funcionamento das ULS mais recentes.

Existem algumas diferenças entre regiões, com o Alentejo a apresentar a perceção global mais positiva (3,33), seguido de perto pelo Norte (3,32), e o Algarve a apresentar a menos positiva (3,00). Apesar destas diferenças, o padrão entre dimensões é bastante semelhante: a Normativa apresenta a perceção mais positiva em todas as regiões, enquanto a Financeira apresenta a menos positiva, sugerindo que os principais pontos fortes e desafios são relativamente transversais às várias regiões.

Ao nível da integração clínica, a gestão transversal do percurso do doente surge também como uma oportunidade de evolução, nomeadamente pela reduzida perceção de atribuição de gestores de caso. Nas regiões Norte e Centro, a classe de Técnicos Auxiliares de Saúde e Administradores Hospitalares continuam a apresentar melhor perceção de integração clínica.

Não obstante, os resultados mostram que a integração é mais reconhecida nos elementos que estabelecem uma base comum de funcionamento entre as diferentes unidades. A existência de ferramentas e canais de comunicação partilhados, como a Intranet e o acesso aos contactos dos profissionais, está entre os aspetos mais bem avaliados. No conjunto, a análise sugere que estão consolidadas várias das condições estruturais necessárias à integração.

Em suma, persistem desafios na transformação destas condições estruturais em práticas efetivas de integração no quotidiano das ULS. A reduzida visibilidade sobre a componente financeira, nomeadamente sobre os custos associados aos doentes e às patologias, continua a ser uma fragilidade. A articulação entre unidades funcionais apresenta também margem de melhoria, tanto no conhecimento da atividade das restantes unidades como nos incentivos à cooperação.

Sexta-feira, 06 Novembro 2026 12:45


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