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Média de 20 dias de baixa para pessoas com esclerose múltipla

Média de 20 dias de baixa para pessoas com esclerose múltiplaA Faculdade de Farmácia da Universidade Lisboa (FFUL), em parceria com a Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) e com o apoio da Novartis, realizou o estudo EMpower “Dar força aos doentes com esclerose múltipla” sobre o impacto da esclerose múltipla nos doentes e seus cuidadores.

Os resultados do estudo demonstram uma realidade preocupante do impacto social da doença. A ocorrência de surtos nos 400 doentes que participaram no estudo levou a que os mesmos ficassem de baixa em média 20 dias no último ano.

O tratamento da esclerose múltipla tem como principais objetivos controlar a ocorrência de surtos e a progressão da incapacidade do doente. O estudo EMpower revela dificuldades no acesso destes doentes aos cuidados de saúde, que em média esperam um mês e meio pela primeira consulta especializada após diagnóstico. Mais de 60% dos doentes apenas tem duas consultas por ano e 14% diz ter dificuldade em obter medicamentos para o tratamento da EM. As principais causas para esta dificuldade de acesso foram “medicamento não disponível no hospital” (60%), “medicação insuficiente para os dias de tratamento” (16%), “dificuldade na marcação de consulta” (7%).

Quando se olha para a relação destas pessoas com o trabalho verifica-se que 27% foram obrigadas a mudar o tipo de trabalho realizado devido à EM e 11% afirmaram ter tido que reduzir as horas de trabalho. Tarefas habituais como o trabalho, o estudo ou o lazer são feitas com muita dificuldade por 61,7% das pessoas com EM inquiridas, e 30,7% afirma ainda ter problemas em vestir-se ou tratar da sua higiene pessoal.

Em comunicado, Manuela Neves, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla, diz que “estes resultados concretizam o conhecimento que a associação tem, através dos relatos recebidos de doentes e deve ser alvo de uma reflexão profunda. É alarmante pensar que uma pessoa com esclerose múltipla vive com menos de 500 euros por mês (como relataram 21% dos inquiridos) e que mais de 60% dos cuidadores não tem apoios na prestação de cuidados”.

Este estudo revela também que a esclerose múltipla é um assunto de família, com um impacto significativo nos cuidadores informais. Dos 70 que participaram no estudo, com uma média de idades de 47,7 anos (indivíduos em idade ativa), 16,2% prestam cuidados durante 24 horas, e 23,6% prestam cuidados durante uma a duas horas por dia. E por isso, 28,4% dos cuidadores refere ter alterado o tipo de trabalho realizado tendo resultado para 84,2% dos casos, numa diminuição dos seus rendimentos.

“Para além dos resultados objetivos já acima apresentados, o que pretendemos obter com a realização deste estudo foi sobretudo uma “fotografia” da situação atual em Portugal sobre a vivência dos doentes com esclerose múltipla, pois a falta de dados sobre a maioria das doenças é um problema crónico no nosso país. Só assim será possível delinear medidas de melhoria a implementar e estudar o seu impacto no futuro”, refere no mesmo comunicado Sofia de Oliveira Martins, professora auxiliar do Departamento de Sócio-Farmácia da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.

Sexta-feira, 05 Dezembro 2014 10:26


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