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1.300 milhões de pessoas sofrem de enxaqueca em todo o mundo e a doença continua subdiagnosticada e banalizada

A enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais frequentes e afeta 1.300 milhões de pessoas em todo o mundo1. Em Portugal, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas sofram de enxaqueca, das quais aproximadamente 780 mil apresentam episódios com incapacidade significativa2. Apesar da sua elevada prevalência e impacto, a enxaqueca continua a ser uma doença subdiagnosticada e subvalorizada, cujo impacto vai muito além da dor de cabeça.

No âmbito do Dia Europeu de Ação contra a Enxaqueca, celebrado a 12 de setembro, a companhia biofarmacêutica Lundbeck destaca a importância de aprofundar o conhecimento e a compreensão desta doença, bem como de promover o seu reconhecimento e uma abordagem adequada.

 

Reconhecer a enxaqueca para compreender o seu impacto

A doença afeta sobretudo as mulheres e pode condicionar diferentes aspetos da vida quotidiana, para além dos próprios episódios de dor. A enxaqueca pode manifestar-se de várias formas e, além da dor de cabeça, pode ser acompanhada por sintomas como náuseas, sensibilidade à luz e ao som ou alterações visuais e sensoriais3.

Perante esta realidade, a Lundbeck promove iniciativas como Migraine Doesn’t Wait, que colocam no centro a realidade das pessoas que vivem com enxaqueca. A iniciativa procura dar visibilidade a algumas das dificuldades que podem permanecer invisíveis para quem está à sua volta, contribuindo para uma maior compreensão de uma doença cujo impacto ultrapassa os seus sintomas.

Através de histórias reais, Migraine Doesn’t Wait mostra situações do quotidiano enfrentadas pelas pessoas com enxaqueca, desde o percurso até ao diagnóstico à necessidade de adaptar atividades do dia a dia, passando pelo impacto no contexto profissional ou pela dificuldade em explicar aos outros o que significa viver com uma doença que nem sempre é visível.

“Um dos principais desafios que temos pela frente é conseguir que a enxaqueca deixe de ser percecionada como uma simples dor de cabeça. Muitas pessoas convivem durante anos com os seus sintomas sem lhes atribuir a importância devida ou sem procurar ajuda. É fundamental promover um diagnóstico adequado e acompanhar a pessoa com enxaqueca na gestão de uma doença que, embora não tenha cura, pode ser tratada e controlada, permitindo reduzir significativamente o seu impacto na vida quotidiana”, afirma Javier Vieites, diretor da Unidade de Negócio de Neuro-especialidades da Lundbeck Espanha.

A necessidade de atuar e de não normalizar os sintomas assume particular relevância tendo em conta que a enxaqueca pode apresentar um caráter imprevisível e recorrente. Para muitas pessoas, viver com esta doença significa adaptar decisões e atividades quotidianas perante a possibilidade de uma nova crise, além de enfrentar situações de incompreensão no seu círculo pessoal e profissional.

 

Uma doença que vai muito além da dor

A carga da enxaqueca não se limita aos episódios de dor. A imprevisibilidade das crises e os sintomas que as acompanham podem interferir nas atividades quotidianas e repercutir-se em diferentes áreas da vida, desde as relações pessoais às responsabilidades profissionais.

Em Portugal, o impacto das cefaleias estende-se também à vida profissional. Um estudo realizado junto de trabalhadores de empresas portuguesas identificou um impacto significativo das cefaleias na produtividade laboral, com episódios de absentismo e redução da capacidade de trabalho durante as crises. Entre os trabalhadores com uma doença relacionada com cefaleias que reportaram ter realizado menos de metade do trabalho previsto durante um episódio, 29% tinham enxaqueca4.

A esta realidade soma-se o facto de as pessoas com enxaqueca poderem experienciar também falta de energia, dificuldades emocionais ou problemas relacionados com a saúde mental, demonstrando que as consequências da doença podem estender-se muito para além dos próprios episódios de dor.

Os desafios relacionados com o diagnóstico e acompanhamento das cefaleias são igualmente relevantes em Portugal. De acordo com o consenso nacional publicado em 2025, cerca de 40% das pessoas que vivem com cefaleias em Portugal não têm acompanhamento médico, enquanto mais de metade das pessoas que têm acompanhamento recorrem ao setor privado2.

O mesmo consenso estima que cerca de 1,5 milhões de portugueses beneficiariam de acompanhamento médico por cefaleias, dos quais aproximadamente 90% poderiam ter resposta nos cuidados de saúde primários2. Estes dados reforçam a importância de melhorar o reconhecimento, diagnóstico e acompanhamento destas doenças no sistema de saúde português.

Com iniciativas como Migraine Doesn’t Wait, a Lundbeck procura contribuir para quebrar a perceção de que a enxaqueca é apenas uma dor de cabeça e promover um maior conhecimento sobre a doença e sobre o seu verdadeiro impacto diário na vida das pessoas que vivem com ela.

 

 

Referências

  1. Al-Hassany L, Haas J, Piccininni M, Kurth T, MaassenVanDenBrink A, Rohmann JL. Giving Researchers a Headache – Sex and Gender Differences in Migraine. Front Neurol. 2020;11:549038.
  2. Gil-Gouveia R, Parreira E, Pavão Martins I, Luzeiro I, Marques Pereira R, Plácido M, Palavra F. Gestão das Cefaleias em Portugal: Consenso das Sociedades Portuguesas de Cefaleias e Neurologia, Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e MiGRA. Acta Médica Portuguesa. 2025;38(5):336–347.
  3. Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS). The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition. Cephalalgia. 2018;38(1):1–211.
  4. Gil-Gouveia R, Miranda R. Indirect costs attributed to headache: A nation-wide survey of an active working population. Cephalalgia. 2022;42(4–5):317–325.
  5. Steiner TJ, Stovner LJ, Vos T, Jensen R, Katsarava Z. Migraine is first cause of disability in under 50s: will health politicians now take notice? J Headache Pain. 2018;19(1):17.
  6. Lipton RB, Buse DC, Nahas SJ, Tietjen GE, Martin VT, Löf E, Brevig T, Cady R, Diener HC. Risk factors for migraine disease progression: a narrative review for a patient-centered approach. J Neurol. 2023;270(12):5692–5710.

Quinta-feira, 10 Setembro 2026 17:24


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