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ANDAR alerta para a importância da vacinação nas pessoas com doença reumática

Especialistas em saúde alertam para a importância de desconstruir mitos e sensibilizar para a vacinação, em especial para pessoas com artrite reumatoide. Os peritos defendem um reforço da vacinação neste grupo particularmente vulnerável a infeções graves e a complicações associadas. Este alerta foi deixado no encontro “Vacinas: Desafios e Estratégias Atuais”, integrado no Ciclo de Conferências, promovido pela Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (ANDAR).

As vacinas já salvaram 154 milhões de vidas em 50 anos e são consideradas uma das invenções mais poderosas da história. No entanto, ganham ainda mais importância para os doentes com artrite reumatoide. O encontro contou com representantes da Direção-Geral da Saúde, INFARMED, Ordem dos Farmacêuticos, Associação Nacional das Farmácias e Sociedade Portuguesa de Reumatologia, para o Painel de Debate com Peritos, e ainda com Paula Pinto, pneumologista e diretora do Serviço de Pneumologia da ULS Santa Maria, Luís Graça, professor de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

De acordo com os dados do Vacinómetro, 2025 ficou marcado por uma crescente resistência e fadiga vacinal, traduzida numa diminuição significativa da adesão à vacinação contra a COVID-19. Natália Pereira, da Direção-Geral da Saúde, sublinha que a faixa etária entre os 60 e 70 anos continua a ser uma das mais reticentes à vacinação.

Para contrariar esta tendência, Catarina Dias Santos, do INFARMED, defende que “os profissionais de saúde devem dar o exemplo e abrir um canal de comunicação capaz de desmistificar as preocupações e receios dos utentes”.

Os farmacêuticos assumem um papel central na promoção da vacinação. “As farmácias são um ponto de entrada para milhares de doentes. É essencial compreender as razões que levam alguém a não querer ser vacinado e responder com informação clara, baseada em informação científica”, explica Ana Paula Mendes, da Ordem dos Farmacêuticos. “Todos podemos e devemos ser embaixadores da vacinação.”

Portugal tem uma das mais qualificadas redes de farmácias da Europa, com cerca de 2500 farmácias habilitadas para vacinar utentes, que garantem uma maior proximidade à população, numa alternativa segura, cómoda e de confiança. Para Maria Mendes, da Associação Nacional das Farmácias, é fundamental “preparar os profissionais com informação científica atualizada, garantindo uma comunicação fidedigna com a população”.

Para as faixas etárias mais jovens, os especialistas defendem estratégias de comunicação adaptadas, recorrendo às redes sociais, influenciadores e criadores de conteúdos, sempre alinhadas com as mensagens das autoridades de saúde. Paula Pinto alerta para a necessidade de combater a desinformação e as fake news, sublinhando a importância de recorrer a fontes credíveis.

Nas pessoas com doenças reumáticas, a vacinação assume uma importância acrescida, sobretudo a partir dos 50 anos, altura em que se verifica uma diminuição da imunidade e um aumento do risco de comorbilidades. As vacinas ajudam a prevenir infeções graves, complicações como AVC e enfarte, bem como o desenvolvimento de resistências microbianas.

Já Fernando Pimentel recomenda que as pessoas com doenças autoimunes sejam vacinadas duas semanas antes do início de terapêuticas imunossupressoras, otimizando a resposta do sistema imunitário.

Além da vacina da gripe e da COVID-19, os especialistas alertam para a importância da vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR), para adultos com mais de 60 anos ou a partir dos 18 anos com comorbilidades, para a vacina do herpes zoster e a vacina pneumocócica.

Luís Graça abordou ainda o papel das vacinas de RNA, salientando que a resposta à vacinação pode variar consoante a doença, a terapêutica e as comorbilidades de cada pessoa. Ainda assim, reforça que “as vacinas têm uma excelente capacidade de estimular o sistema imunitário”.

Os especialistas foram unânimes em sublinhar que a vacinação continua a ser uma ferramenta segura, eficaz e essencial, especialmente para pessoas com doenças reumáticas, defendendo uma abordagem integrada que envolva profissionais de saúde, farmácias, decisores políticos e a própria sociedade civil.

Sexta-feira, 06 Fevereiro 2026 12:27


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