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Cancros do sangue: APLL alerta para mudanças na vida dos doentes

O mês de setembro, dedicado à sensibilização para as doenças malignas de sangue, marca o arranque de mais uma campanha da Associação Portuguesa de Leucemia e Linfomas (APLL). No âmbito do trabalho que tem vindo a implementar ao longo dos últimos anos, a Associação alerta para os impactos que leucemias, linfomas e mielomas têm nas rotinas dos doentes, mas também dos cuidadores, apresentando ainda um conjunto de atividades com o objetivo de melhorar a qualidade de vida destas pessoas.

“Um diagnóstico de leucemia, linfoma, mieloma ou outra doença maligna do sangue representa o início de um percurso que vai muito além de consultas, exames e tratamentos. Para muitos doentes, a doença implica alterações profundas na vida quotidiana, desde a capacidade para trabalhar e manter as rotinas habituais à autonomia, atividade física, relações familiares e projetos pessoais”, explica Isabel Barbosa, presidente da APLL. Estas alterações estendem-se muitas vezes às famílias, já que os cuidadores passam a assumir novas responsabilidades, como, por exemplo, o acompanhamento a tratamentos e consultas.

A evidência científica tem demonstrado que os cuidadores de pessoas com doenças hematológicas podem enfrentar consequências psicológicas, físicas, sociais e económicas, incluindo stress, alterações do sono e redução da qualidade de vida. Também a vida profissional pode ser afetada: estudos realizados junto de doentes e cuidadores identificam mudanças nos horários de trabalho, alterações de funções e, em alguns casos, abandono da atividade profissional.

“É, por isso, fundamental que doentes e cuidadores tenham informação, acompanhamento e respostas que lhes permitam enfrentar este percurso com maior segurança e qualidade de vida. Cuidar também significa ajudar a pessoa a manter, tanto quanto possível, a sua autonomia, bem-estar e participação na vida familiar e social”, defende Isabel Barbosa.

A dimensão deste desafio ajuda a perceber a importância da sensibilização. Segundo os dados mais recentes do Global Cancer Observatory, da International Agency for Research on Cancer (IARC), organismo da Organização Mundial da Saúde, terão sido diagnosticados em Portugal, em 2024, quase 1.500 novos casos de leucemia e cerca de 2.900 novos casos de linfomas não Hodgkin, que, em conjunto, representam aproximadamente 6,2% de todos os novos casos de cancro no país.

 

APLL reforça resposta com novo programa “3M”

Com o objetivo de informar, sensibilizar, acompanhar e auxiliar quem vive com estas doenças, a APLL tem, desde a sua fundação em 2001, desenvolvido várias campanhas e programas que incluem apoio psicológico e iniciativas de recuperação e manutenção da condição física.

Uma das atividades que dá visibilidade a esta missão é a Caminhada das Pontes, que em 2026 assinala a 4.ª edição. O momento realiza-se no dia 26 de setembro, às 10h00, e contempla um percurso de 3,5 km entre a Ponte do Freixo e o Horto das Virtudes, em Miragaia. As inscrições já se encontram abertas (através de formulário online) e a participação tem o valor de 8 euros.

Também este mês, a APLL lança o “3M – Mieloma Múltiplo em Movimento”. Trata-se de um novo programa online de reabilitação física, destinado a pessoas diagnosticadas com mieloma múltiplo. Desenvolvido em parceria com a Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) e com o apoio da Myeloma Patients Europe, o “3M” tem a duração de 12 semanas e prevê 12 aulas online em grupo, com supervisão especializada, acompanhamento personalizado quando necessário e exercícios adaptados às necessidades dos participantes. O objetivo é promover o bem-estar físico, melhorar a qualidade de vida e incentivar hábitos mais ativos, através de uma intervenção acessível e segura.

Quinta-feira, 10 Setembro 2026 17:25


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