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Dia Mundial do Cancro do Pulmão: Casos em mulheres e não-fumadores aumentam, mas a prevenção e a inovação científica mudam o rumo da sobrevivência

No âmbito do Dia Mundial do Cancro do Pulmão, celebrado a 1 de agosto, o Grupo de Estudos do Cancro do Pulmão (GECP) lança um forte apelo à sociedade civil e às autoridades de saúde sobre a necessidade urgente de reforçar a prevenção, a deteção atempada e a literacia em saúde. Embora a mortalidade continue a colocar este tumor no topo das preocupações oncológicas globais, a ciência e a implementação, ainda que apenas no início, do rastreio abrem portas a um cenário de maior otimismo e sobrevivência.

Os dados estatísticos e clínicos mais recentes a nível internacional desenham um panorama em mutação. Se por um lado as políticas antitabágicas das últimas décadas começam a refletir-se numa estabilização ou descida da incidência nos homens, por outro, os diagnósticos em mulheres e em pessoas que nunca fumaram continuam a registar uma subida preocupante. Em várias geografias europeias, a mortalidade por cancro do pulmão no sexo feminino ameaça ultrapassar a do cancro da mama, espelhando o pico tardio do consumo de tabaco pelas mulheres no final do século passado.

Contudo, o maior conhecimento biológico e a medicina de precisão estão a reescrever as perspetivas dos doentes. Estudos recentes comprovam que os tumores em não-fumadores estão frequentemente associados à exposição a fatores ambientais, como a poluição atmosférica por partículas finas e a exposição ao gás radão, sendo conhecido que nesta população os tumores têm, com maior frequência, alterações moleculares genéticas específicas que permitem, em alguns casos, opções terapêuticas dirigidas com muito boas respostas.

A urgência da prevenção e o impacto do rastreio

Para o GECP, a principal arma no combate à doença continua a ser a prevenção, dividida em três frentes fundamentais: a cessação tabágica, medidas de controlo ambiental, nomeadamente com impacto na redução de micropartículas poluidoras da atmosfera (PM2.5), e o diagnóstico precoce.

“A mensagem que queremos deixar hoje é clara: o cancro do pulmão pode ser evitado e, quando não o é, pode ser detetado a tempo”, afirma a Ana Barroso, Secretária da Direção do GECP. Ao que acrescenta: “Eliminar o consumo de tabaco e evitar a exposição ao fumo passivo continuam a ser as medidas com maior impacto na redução do risco, assim como políticas de saúde ambiental focadas na redução de micropartículas poluentes, especialmente as partículas finas PM2.5. Paralelamente, os grandes estudos europeus recentes provaram, de forma inequívoca, que a implementação de programas organizados de rastreio através de Tomografia Computorizada (TC) de baixa dose em populações de risco reduz a mortalidade em até 24% nos homens e mais de 30% nas mulheres. Detetar o tumor numa fase inicial faz toda a diferença entre a possibilidade de cura e um prognóstico complexo.”

Além do diagnóstico precoce, o GECP destaca o papel da inovação terapêutica, que transformou o paradigma do tratamento. O aparecimento das terapias-alvo, da imunoterapia e de outras novas classes terapêuticas, permitiu que doentes com doença avançada atinjam hoje taxas de sobrevivência a longo prazo inimagináveis há uma década.

“A oncologia torácica vive uma verdadeira revolução. Hoje, através de testes genéticos e da identificação de biomarcadores específicos no tumor, conseguimos desenhar tratamentos personalizados e muito mais eficazes para cada pessoa. O cancro do pulmão já não é uma sentença imediata. Mas para que estas terapêuticas inovadoras funcionem da melhor forma, precisamos que os doentes cheguem até nós o mais cedo possível. Estar atento a sintomas persistentes, como tosse crónica, falta de ar, fadiga inexplicável, dor torácica ou perda de peso, e recorrer ao médico sem hesitar, é também uma forma ativa de prevenção”, sublinha Ana Barroso, também Coordenadora da Secção de Comunicação do GECP.

Com o mote da campanha digital deste ano, o GECP reforça que “Nem todos os cancros do pulmão são iguais”. Para transformar o cenário desta doença em Portugal, o Grupo aponta como pilares fundamentais as políticas focadas na luta antitabágica e no controlo ambiental, a concretização de um programa de rastreio populacional, o reforço de recursos humanos e exames de diagnóstico atempados nos hospitais, e o acesso célere a fármacos inovadores.

 

Terça-feira, 21 Julho 2026 15:35


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