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Dispositivo Smartgnostics deteta bactérias e resistência a antibióticos em humanos e animais

O dispositivo desenvolvido pelo consórcio SMARTgNOSTICS começa a ser testado este ano em humanos e animais e pode mudar a resposta mundial à resistência antimicrobiana. Viseu irá receber o maior debate sobre o tema – www.smartgnostics.com/. Hospital CUF e Grupo Lusiaves começam a fazer testes piloto no dispositivo este ano.

A resistência antimicrobiana (RAM) mata cada vez mais pessoas a nível mundial. Também a nível veterinário é urgente ter respostas em tempo real. O grupo ALS, através do consórcio SMARTgNOTICS desenvolveu tecnologias que oferecem uma resposta em tempo real e que irão mudar a forma como se lida com o problema: o uso excessivo de antibióticos tem contribuído para o desenvolvimento de resistências e estima-se que, sem medidas eficazes, as infeções possam tornar-se a principal causa de morte até 2050.

O projeto SMARTgNOSTICS, um consórcio com várias entidades publicas e privadas portuguesas, começa a testar as suas tecnologias inovadoras no Hospital CUF e no Grupo Lusiaves na última metade do ano. Estes dispositivos identificam as bactérias que levam à infeção e permite, em tempo real, ter uma resposta eficaz. Pela primeira vez duas instituições nacionais irão usar estes dispositivos.

A RAM é responsável por aproximadamente 5 milhões de mortes anuais em todo o mundo, com a União Europeia registando cerca de 33.000 mortes e custos de saúde que ultrapassam 1,5 bilhões de euros. A crescente pressão sobre a agricultura e a indústria, impulsionada pelo aumento da população global, resulta num uso excessivo de antibióticos e.g. em animais de criação e aquicultura, contribuindo silenciosamente para a RAM das bactérias e, consequentemente, para a ineficácia do tratamento antibiótico a nível clínico.

Segundo a Dra. Manuela Caniça, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência da Resistência aos Antibióticos no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), “A Assembleia Geral das Nações Unidas (79ª sessão/2024), reconheceu os benefícios do investimento no desenvolvimento e acesso a antibióticos, sistemas de diagnóstico, vacinas e outras alternativas aos antibióticos, bem como o facto de a saúde exigir solidariedade global e esforço coletivo. Só com testes de diagnóstico e capacidade laboratorial podemos reduzir a resistência aos antibióticos. Só com testes rápidos e com custos reduzidos, nomeadamente nos países de baixo e médio rendimento, conseguiremos dar resposta. É necessário um investimento em sistemas de diagnóstico e sistemas laboratoriais inovadores, rápidos, eficazes, validados e acessíveis, e a garantia de que serão alcançáveis por todas as populações”.

“A resistência aos antibióticos representa uma ameaça crítica no contexto da abordagem One Health, refletindo-se de forma transversal na saúde humana, animal e ambiental. A sua progressão compromete a eficácia de intervenções essenciais em todos estes domínios. Sem uma resposta integrada — baseada na cooperação entre setores, na vigilância contínua e na educação da sociedade — poderemos enfrentar um retrocesso sanitário com consequências imprevisíveis. No evento Inovação no Controlo da Resistência Antimicrobiana, partilharei estratégias interdisciplinares que visam reforçar a ação coordenada e sustentada para conter este fenómeno global”, partilhou Patrícia Poeta, coordenadora do Grupo de Investigação em Resistência a Antibióticos MicroART.

A resistência aos antimicrobianos é uma realidade com que nos confrontamos no nosso dia a dia profissional, resultando num aumento do número e da duração dos internamentos e num excesso de mortalidade, que penaliza a saúde, a esperança de vida e a economia dos portugueses, tal como em todo o mundo. É por isso absolutamente fundamental investir na literacia da população em geral; no uso racional de antibióticos (quer humano quer em veterinária e na agricultura); e na investigação de novos medicamentos, bem como de tecnologias que facilitem o diagnóstico rápido e eficaz quer de infeções, quer da presença de resistência antimicrobiana, afirmou Joana Lemos, Médica Consultora e Coordenadora de Medicina Interna do Grupo CUF.

“A resistência aos antibióticos já é uma das principais causas de morte a nível mundial — e a ameaça continua a crescer! Sem novas soluções, corremos o risco de ver infeções comuns tornarem-se intratáveis e mortais. No evento ‘Inovação no Controlo da Resistência Antimicrobiana’, irei apresentar o potencial dos bacteriófagos no desenvolvimento de abordagens inovadoras e promissoras no combate às infeções multirresistentes”, Sílvio Santos, Diretor Associado do Laboratório de Biotecnologia de Bacteriófagos da Universidade do Minho.

Considerando que a emergência mundial de bactérias com RAM constitui uma ameaça crescente e importante em termos de saúde pública, em junho de 2023, o Conselho da União Europeia (UE) adotou uma Recomendação relativa à intensificação das ações da EU no combate da RAM numa perspetiva “Uma Só Saúde”/ “One Health”, ou seja, tendo em consideração três reservatórios: o homem, os animais e o ambiente.

Três das metas recomendadas – para atingir até 2030, na UE – são a diminuição da incidência total de infeções da corrente sanguínea causadas por MRSA, infeções causadas por E. coli com resistência às cefalosporinas de terceira geração e por K. pneumoniae com resistência aos carbapenemos.

Segundo o Relatório Anual de 2021 do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos (PPCIRA), a vigilância contínua do consumo de antibióticos e das RAMs tem um papel decisivo na implementação de políticas adequadas para o diagnóstico e combate das RAMs e ao uso racional de antibióticos.
Sobre a ALS
ALS é uma líder global nos serviços técnicos e laboratoriais para os mercados internacionais da indústria, ciências da vida, minerais e energia. A ALS Limited está cotada na Bolsa Australiana ASX 100 e engloba uma rede mundial de empresas presentes em mais de 70 países, com mais de 420 localizações e mais de 20.000 colaboradores.

O grupo ALS tem as suas origens em 1863 na Austrália e passados mais de 150 anos o crescimento global continua. Hoje processa mais de 40 milhões de amostras por ano na Austrália, Europa, Ásia, América do Norte, América do Sul e África.

Segunda-feira, 29 Setembro 2025 11:11


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