Um estudo internacional recente, publicado na revista Medicine, revela que a prevalência global das doenças autoimunes quase duplicou entre 1990 e 2021, evidenciando um crescimento significativo deste grupo de patologias ao longo das últimas três décadas. Baseado em dados do Global Burden of Diseases 2021, o trabalho analisou várias doenças autoimunes de elevado impacto avaliando tendências por idade, sexo e região geográfica.
Os resultados mostram que, apesar de algumas doenças apresentarem uma tendência de diminuição, como a doença inflamatória intestinal, a esclerose múltipla e a psoríase, outras continuam a crescer, com destaque para a diabetes tipo 1, cuja prevalência tem vindo a aumentar de forma consistente. Outras doenças mantêm tendências estáveis, como a alopecia areata, cardiopatia reumática e artrite reumatoide. No geral, a carga destas doenças mantém-se elevada, refletindo o seu impacto clínico, social e económico.
O estudo evidencia ainda diferenças marcadas ao longo do ciclo de vida. A prevalência das doenças autoimunes é mais baixa na infância, aumentando de forma significativa nos adultos jovens e de meia-idade. Paralelamente, observa-se uma maior incidência no sexo feminino, um padrão já descrito na literatura e que poderá estar relacionado com fatores hormonais, embora os mecanismos exatos permaneçam pouco esclarecidos.
As projeções dos investigadores indicam que a prevalência global continuará a aumentar até cerca de 2032, seguindo-se uma fase de abrandamento progressivo até 2050. Ainda assim, o envelhecimento populacional poderá manter elevada a carga total destas doenças nos sistemas de saúde.
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