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Estudo da NOVA Medical School identifica papel protetor da cafeína contra efeitos da obesidade no cérebro

O consumo de cafeína reduz o impacto da obesidade no cérebro. Esta é a principal conclusão de um estudo publicado na revista científica Pharmacological Research, desenvolvido por uma equipa de investigação da NOVA Medical School que, pela primeira vez, estabelece uma relação direta entre o consumo de cafeína e a diminuição dos efeitos da obesidade no cérebro, como a perda de memória, aprendizagem e outras funções cognitivas.

O trabalho, liderado por Sílvia Conde, professora e investigadora principal da NOVA Medical School, demonstra que uma dieta hipercalórica, rica em gorduras e açúcares, que promove obesidade, gera resistência à insulina e intolerância à glucose. Este excesso de peso também provoca piores desempenhos cognitivos associados ao aumento da inflamação cerebral, em particular no hipocampo, região crítica para a memória e aprendizagem.

No estudo desenvolvido em modelo animal, os investigadores observaram que o consumo crónico de cafeína permitiu atenuar as alterações metabólicas e reduzir significativamente a inflamação cerebral e, por isso, melhorar as funções cognitivas.

“Se o cérebro fosse uma cidade e o hipocampo a ‘biblioteca central’, onde se guardam todas as nossas memórias, a obesidade seria a poluição que danifica a biblioteca. A inflamação do hipocampo é todo o fumo e lixo acumulados. Então, a cafeína seria a equipa de limpeza e manutenção, ou seja, reduz a ‘poluição’ e ajuda os sistemas a funcionar melhor (atividade neuronal), permitindo que a biblioteca volte a operar de forma eficiente”, explica Adriana Capucho, estudante de doutoramento da NOVA Medical School.

Num contexto em que a obesidade continua a aumentar a nível global e as suas consequências vão muito além das doenças cardiovasculares e metabólicas, os resultados obtidos permitem um melhor entendimento deste problema de saúde pública, ao relacionar estilo de vida, inflamação e saúde cerebral.

Esta investigação sugere que substâncias amplamente consumidas, como a cafeína, podem vir a integrar estratégias futuras de prevenção ou mitigação do declínio cognitivo associado à obesidade, representando o primeiro passo no percurso até à validação científica também em humanos. “Verificámos que a cafeína reduz a neuroinflamação, mas também promove a atividade neuronal no hipocampo, o que ajuda a explicar os efeitos observados na memória e cognição”, acrescenta Sílvia Conde.

Partindo do conhecimento de que a obesidade está associada a perdas de memória e cognição, decorrentes da neuroinflamação, e a cafeína é conhecida por melhorar o estado de alerta e a função cerebral, a equipa de investigadores da NOVA Medical School desenvolveu a hipótese de que esta substância poderia proteger o cérebro. Esta é a primeira vez que a relação entre os três (obesidade, cafeína e cognição) é descrita numa investigação.

Terça-feira, 04 Agosto 2026 11:56


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