A Faes Farma registou um forte crescimento no primeiro trimestre de 2026, com receitas a ultrapassarem os 200 milhões de euros (+31%) e um lucro líquido de 30,8 milhões (+9%). O desempenho foi impulsionado pela expansão internacional, pela consolidação da área de Oftalmologia e pelo crescimento das principais moléculas, num contexto de eficiência operacional e melhoria das margens.
De acordo com os dados apresentados, o volume de negócios na divisão Farma aumentou 31% em termos anuais, superando os 175 milhões de euros, impulsionado pela integração da Oftalmologia como uma nova área estratégica e pelo forte desempenho, tanto das moléculas principais, como do restante portefólio. Por sua vez, a FARM Faes, a divisão de Nutrição e Saúde Animal, manteve o seu dinamismo com vendas de cerca de 22 milhões de euros (+31%), sustentada por um desempenho muito robusto na Península Ibérica, uma recuperação das margens e uma gestão operacional sólida.
As receitas das três moléculas estratégicas – bilastina, calcifediol e mesalazina – registaram, uma vez mais, crescimentos significativos. A bilastina manteve a sua posição de liderança no período, enquanto as vendas de calcifediol e mesalazina subiram 19% e 12%, respetivamente.
Neste contexto, destaca-se a consolidação da Oftalmologia como uma das áreas fundamentais do grupo, representando agora 14% das receitas da Faes Farma.
O EBITDA superou os 48 milhões de euros no primeiro trimestre do exercício, o que representa um aumento de 23% face ao mesmo período do ano anterior. Estes valores incluem custos decorrentes da otimização da estrutura de aquisição. Excluindo estes encargos, o crescimento do EBITDA seria de 30%. Este crescimento sólido sublinha o forte desempenho geral em todas as linhas de negócio, a par de uma gestão de custos eficiente.
Crescimento em todas as linhas do portefólio
O negócio da Farma Iberia aumentou as suas receitas para 66,5 milhões de euros (+13%), uma subida impulsionada pelo forte desempenho do mercado português e pela integração estratégica do Laboratório Edol.
A atividade nos mercados internacionais contribuiu com 68,5 milhões de euros (+92%) no fecho do trimestre, consolidando a América Latina (+23%) como o principal motor de crescimento orgânico do Grupo. Nesta região, mercados-chave como a Colômbia (+30%), o Equador (+20%), o Peru (+20%) e o México (+25%) mantiveram um crescimento sólido, impulsionado pela estratégia de promoção contínua dos produtos estratégicos. Da mesma forma, os restantes mercados internacionais (ROW) registaram um desempenho sólido, impulsionado em particular pela tendência positiva no Golfo.
O segmento de licenciamento contribuiu com mais de 40 milhões de euros (+2%) entre janeiro e março, período em que a bilastina permaneceu estável. As vendas de outras licenças melhoraram 4%, superando os 9 milhões de euros, graças ao contributo significativo do calcifediol, que se afirmou como o principal motor do trimestre com um crescimento superior a 51%.
Perspetivas para 2026
O primeiro trimestre confirma as previsões estabelecidas para o total do ano, no qual a Faes Farma fixou orientações que antecipam um crescimento de dois dígitos nas suas receitas (+17%/+19%) e no EBITDA (+28%/+31%), acompanhado por uma melhoria das margens.
Os principais motores deste crescimento serão o impulso das vendas em mercados internacionais estratégicos, como a América Latina e o Golfo, o progresso no licenciamento e a integração total da SIFI e do Edol.
Neste aspeto, destaca-se o potencial da divisão de Oftalmologia, impulsionada por sinergias comerciais e de gestão, bem como pelos lançamentos de Akantior.
No plano operacional, a Faes Farma irá reforçar a sua eficiência com a conclusão da transferência das atividades de produção para a nova fábrica em Derio. Como resultado, a empresa espera reduzir o rácio de dívida líquida sobre EBITDA ajustado para menos de 2x, mantendo o seu compromisso de remunerar os acionistas com um payout de 50%.
Progressos em I&D
No que toca à investigação e desenvolvimento, destaca-se a aprovação recebida para o produto Akantior em Itália, que se segue à aprovação obtida em 2025 para o mercado espanhol. Além disso, foram submetidos dois processos durante este trimestre: um para colírio de moxifloxacina na Europa e outro para bilastina sticks no Brasil.