Especialistas da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental alertaram para a necessidade urgente de melhorar o acompanhamento de pessoas com perturbação mental grave (PMG). O estudo destaca que este grupo populacional apresenta uma esperança média de vida inferior à da população em geral.
De acordo com os autores, embora os doentes com PMG registem uma menor taxa de diagnóstico de cancro, a mortalidade por neoplasias é significativamente superior, o que pode ser explicado, possivelmente, pelo menor acesso a programas de rastreio oncológico.
Além do risco oncológico, o artigo aponta outros fatores críticos, como a saúde cardiovascular, dado que existe uma elevada prevalência de fatores de risco modificáveis e uma reduzida adesão a medidas preventivas. Verifica-se ainda um aumento da mortalidade por infeções respiratórias neste grupo de doentes, agravado por barreiras no acesso a cuidados e baixa adesão vacinal.
Para combater estas disparidades, o estudo refere uma intervenção realizada no inverno de 2024-2025 pela ULS de Lisboa Ocidental. Em coordenação com a Saúde Pública, o Serviço de Psiquiatria interveio junto de cerca de 600 pessoas com PMG para combater a hesitação vacinal. As vacinas contra a gripe e a COVID-19 foram administradas por equipas comunitárias de saúde mental, facilitando o acesso através do contacto próximo com as equipas de enfermagem.
Os autores defendem que o sucesso do acompanhamento destes doentes depende de uma “articulação estruturada” entre a psiquiatria e a Medicina Geral e Familiar. Entre as medidas propostas encontram-se a monitorização regular da pressão arterial, glicemia e perfil lipídico, bem como reuniões de planeamento conjunto, partilha de registos clínicos e formação cruzada entre especialidades. Acrescenta-se ainda a presença periódica de psiquiatras nas Unidades de Saúde Familiar para consultas e discussão de casos.
A integração de cuidados nas Unidades Locais de Saúde é vista como uma oportunidade estratégica para implementar estes modelos colaborativos, assegurando que a prevenção e vigilância são ajustadas às necessidades específicas desta população vulnerável.
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