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Porto no centro europeu da tiroide: três dias de rastreio gratuito antecedem congresso internacional

O Porto torna-se, durante a primeira semana de setembro, o grande ponto de encontro entre a discussão científica internacional e a realidade das pessoas que vivem com doenças da tiroide.

Entre 2 e 4 de setembro, a ADTI – Associação das Doenças da Tiroide e a SPEDM – Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, com o apoio da Merck, promovem uma ação gratuita de sensibilização e rastreio da tiroide na estação de Metro da Trindade. A iniciativa pretende aproximar a informação e os profissionais de saúde da população e chamar a atenção para uma questão frequentemente silenciosa: muitas pessoas podem estar a viver com uma doença da tiroide sem reconhecer os seus sintomas ou saber que precisam de ser avaliadas.

Já a partir de 5 de setembro, a cidade será palco do 47.º Encontro Anual da European Thyroid Association, que reúne especialistas de vários países para debater os mais recentes avanços no âmbito da investigação, do diagnóstico e do tratamento. Com cerca de 1500 participantes já inscritos, esta será a edição mais participada de sempre, um marco que coloca o Norte do País no centro da discussão internacional sobre as doenças da tiroide.

Dados disponíveis na Europa mostram que o hipotiroidismo, a alteração funcional mais comum da tiroide, continua a representar um importante desafio de diagnóstico. Uma revisão sistemática e meta-análise que reuniu 20 estudos epidemiológicos realizados na Europa estimou uma prevalência de 4,70% de hipotiroidismo não diagnosticado, o equivalente a cerca de uma em cada 21 pessoas. A maioria dos casos identificados na análise correspondia a hipotiroidismo subclínico. Os autores concluem que uma proporção considerável da população europeia apresenta hipotiroidismo não diagnosticado, considerando esta uma questão que merece maior atenção do ponto de vista da saúde pública.

Mas dimensão do problema é também visível a nível nacional. Em Portugal, os dados apontam para cerca de 1 milhão de pessoas afetadas por doenças da tiroide e cerca de 600 mil pessoas sem diagnóstico.

Sintomas como cansaço persistente, falta de energia, alterações de peso, dificuldade de concentração ou intolerância ao frio podem ter diferentes causas e não significam necessariamente uma doença da tiroide. No entanto, quando persistem, devem ser valorizados e, quando adequado, avaliados por um profissional de saúde.

“Continuamos a encontrar sintomas que podem ser facilmente desvalorizados ou atribuídos ao stress, à idade ou ao ritmo de vida. O desafio é garantir que as pessoas reconhecem quando uma alteração persiste e percebem que pode ser importante procurar avaliação médica”, afirma Paula Freitas, presidente da SPEDM.

A endocrinologista sublinha que o desafio não termina com a identificação da doença. “No caso do hipotiroidismo, é importante reconhecer que estamos perante uma doença crónica, que pode exigir tratamento e acompanhamento continuados. O diagnóstico é apenas o início de um percurso em que a gestão da doença e a qualidade de vida do doente devem continuar a ser acompanhadas.”

Esta é também uma das dimensões que ADTI e SPEDM têm vindo a colocar na agenda institucional, defendendo um maior reconhecimento do hipotiroidismo enquanto doença crónica e uma resposta mais estruturada às necessidades das pessoas que vivem com esta condição.

Na sequência da Carta Aberta dirigida à tutela e aos grupos parlamentares, a ADTI solicitou audiências aos grupos parlamentares para apresentar as preocupações e recomendações dos doentes e discutir a necessidade de uma resposta mais adequada ao acompanhamento do hipotiroidismo enquanto doença crónica.

Para Celeste Campinho, presidente da ADTI, esta dimensão é essencial para quem vive com a doença. “Quando falamos de uma doença crónica, temos de olhar para além do momento do diagnóstico. Os doentes precisam de informação, acompanhamento e condições para gerir a sua saúde ao longo do tempo. É importante que esta realidade seja reconhecida e esteja presente na discussão sobre as doenças da tiroide.”

A realização da ação de sensibilização e rastreio antes do encontro anual da European Thyroid Association permite aproximar duas dimensões da mesma discussão: o conhecimento científico e a realidade da população.

Durante três dias, a ADTI e a SPEDM levam esta discussão para um espaço de grande circulação no Porto, permitindo que a população tenha acesso gratuito à iniciativa, sem necessidade de marcação.

A partir de 5 de setembro, a discussão ganha uma dimensão internacional com a realização, no Porto, do encontro anual da European Thyroid Association, reunindo especialistas dedicados à saúde da tiroide de vários países.

A iniciativa pretende, assim, reforçar a importância da literacia em saúde, do reconhecimento dos sintomas, do diagnóstico e do acompanhamento adequado das pessoas que vivem com hipotiroidismo, contribuindo para aproximar a discussão científica das necessidades concretas dos doentes.

Ação de sensibilização e rastreio da tiroide
Datas: 2, 3 e 4 de setembro de 2026, das 08h00 às 17h00
Local: Estação de Metro da Trindade, Porto
Participação: Gratuita e sem necessidade de marcação

Segunda-feira, 31 Agosto 2026 15:27


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