Portugal passa a dispor da primeira tecnologia Photon Counting em funcionamento no país, uma nova geração de Tomografia Computorizada, considerada a maior evolução tecnológica desta área nas últimas décadas. Ao reforçar a capacidade de diagnóstico e apoiar decisões clínicas mais precisas, esta nova tecnologia poderá ainda contribuir para reduzir a necessidade de exames complementares adicionais e de procedimentos invasivos em múltiplas áreas da Medicina.
Ao contrário da Tomografia Computorizada convencional, a tecnologia Photon Counting mede individualmente cada fotão de radiação X, em vez de integrar toda a energia recebida pelo detetor. Esta diferença tecnológica permite obter imagens anatomicamente mais detalhadas, reduzir artefactos que dificultam a interpretação dos exames e melhorar a caracterização de lesões, tecidos e estruturas anatómicas, algumas de pequena dimensão e mesmo em situações particularmente exigentes, como doentes com calcificações arteriais extensas ou stents coronários.
Para os especialistas, esta evolução representa mais do que uma melhoria da qualidade da imagem. Ao disponibilizar melhor informação desde o primeiro exame, poderá contribuir para diagnósticos mais rigorosos e, em determinados contextos clínicos, diminuir o recurso a estudos adicionais, alguns deles invasivos.
A tecnologia permite igualmente reduzir as doses de radiação e/ou de contraste em determinados protocolos clínicos, mantendo elevados níveis de qualidade diagnóstica – um benefício com particular relevância para doentes que necessitem de exames periódicos ou que apresentem maior vulnerabilidade à exposição cumulativa à radiação ou a produtos de contraste.
“Estamos perante uma evolução muito significativa no diagnóstico por imagem. Não se trata apenas de obter imagens de melhor qualidade. Conseguimos obter mais e melhor informação diagnóstica, observar estruturas anatómicas com um nível de detalhe muito superior e aumentar a confiança no diagnóstico e consequentemente na tomada de decisão”, afirma Luís Curvo Semedo, Médico Radiologista na Joaquim Chaves Saúde.
Na área cardiovascular, uma das principais vantagens está na avaliação da doença arterial coronária, sobretudo em doentes com calcificações importantes ou stents, situações em que a técnica convencional pode apresentar limitações.
“Nesta área, uma das principais mais-valias desta nova tecnologia é a redução dos artefactos provocados pelas calcificações e pelos stents, permitindo uma avaliação mais rigorosa do interior das artérias coronárias. É possível avaliar e esclarecer situações clínicas que anteriormente podiam sofrer de alguma incerteza diagnóstica ou em que os exames de Angio-TC eram mesmo não diagnósticos”, sublinha Carla Saraiva, Médica Radiologista dedicada à área da imagem cardíaca na Joaquim Chaves Saúde.
Também na área respiratória, a tecnologia poderá representar um avanço importante na caracterização de alterações pulmonares muito precoces. A elevada resolução espacial permite uma avaliação mais detalhada de pequenos nódulos pulmonares e de alterações em fase inicial, nomeadamente em contexto de rastreio ou suspeita de cancro do pulmão – uma capacidade que poderá contribuir para diagnósticos mais precoces e mais precisos nas situações em que o detalhe da imagem faz efetivamente a diferença. Também na avaliação de doenças do interstício pulmonar, esta tecnologia poderá trazer diagnósticos mais atempados ao detetar mais precocemente alterações de estruturas anatómicas muito pequenas.
Luis Lebre, diretor clínico da Joaquim Chaves Saúde, adianta que “outra das vantagens é a diminuição do risco cumulativo associado a exames repetidos, algo especialmente importante em doentes que precisam de vigilância periódica (ex: rastreio do cancro do pulmão, doença oncológica em seguimento), em crianças e jovens, mais sensíveis aos efeitos da radiação a longo prazo, e em grávidas, quando o exame é estritamente necessário, assim como a eventual diminuição do risco oncológico devido a menor dose acumulada”.
Para Luís Curvo Semedo, o impacto desta tecnologia é transversal às diferentes especialidades médicas: “mais do que uma evolução tecnológica, estamos perante uma nova capacidade de obter informação diagnóstica a partir da imagem. Isso permite caracterizar melhor diferentes patologias, apoiar decisões terapêuticas de forma mais informada e melhorar a articulação entre especialidades médicas, em benefício do doente.”
Os benefícios da tecnologia Photon Counting estendem-se a múltiplas áreas da medicina, incluindo Cardiologia, Pneumologia, Oncologia, Neurologia e Ortopedia, entre tantas outras especialidades nas quais a precisão diagnóstica assume um papel determinante.
A tecnologia encontra-se instalada na Clínica de Miraflores da Joaquim Chaves Saúde, onde passa a estar disponível o primeiro sistema NAEOTOM Alpha Prime, da Siemens Healthineers, em funcionamento em Portugal.
Para além da atividade privada e da exercida ao abrigo de acordos com diferentes seguradoras, os exames estão também acessíveis aos utentes do Serviço Nacional de Saúde, ao abrigo de uma convenção de âmbito regional que abrange todas as Unidades Locais de Saúde da região de Lisboa e Vale do Tejo, mediante requisição emitida por uma dessas unidades.