Um estudo publicado na revista European Archives of Oto‑Rhino‑Laryngology concluiu que, apesar dos avanços rápidos da inteligência artificial (IA) na Medicina, os otorrinolaringologistas especializados em Medicina do sono superam os modelos de IA na avaliação clínica da apneia obstrutiva do sono, uma das perturbações do sono mais prevalentes e potencialmente graves.
A investigação comparou as respostas de três sistemas de IA (incluindo versões avançadas de ChatGPT e outro modelo concorrente) a um questionário de 10 perguntas sobre gestão clínica da apneia do sono com as respostas de um painel de 100 otorrinolaringologistas especializados em Medicina do sono. Essas respostas foram depois avaliadas por um painel de dez super‑especialistas para medir o grau de concordância com o consenso especializado.
Os resultados mostraram que o consenso dos especialistas alcançou a maior pontuação média de concordância (4,5 ± 0,9), significativamente acima das respostas geradas pelos modelos de IA. Surpreendentemente, a versão mais antiga do ChatGPT obteve desempenho superior em relação às versões mais recentes e refinadas, embora nenhuma das IAs tenha igualado de forma consistente o julgamento clínico humano em cenários complexos.
Segundo os autores, estes dados realçam que, apesar de os sistemas automatizados de IA demonstrarem potencial em tarefas bem definidas ou rotineiras, a integração de múltiplos fatores clínicos e nuances do cuidado ao doente, essenciais na gestão da apneia do sono, continua a exigir julgamento especializado experiente.
Este estudo sublinha a importância de encarar a IA como uma ferramenta auxiliar no diagnóstico e gestão clínica, em vez de substituta do julgamento de especialistas, especialmente em situações que exigem experiência clínica integrada e avaliação de múltiplos parâmetros.
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