Um estudo recente veio reforçar a importância dos sintomas na avaliação da síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), demonstrando que a sonolência diurna e a intensidade da roncopatia são os principais fatores associados ao impacto funcional da doença.
A investigação nacional analisou doentes diagnosticados com SAOS entre 2020 e 2024, avaliando o impacto funcional através da escala Functional Outcomes of Sleep Questionnaire-30. Foram ainda considerados indicadores clínicos e sintomáticos como o índice de massa corporal (IMC), perímetro cervical (PC), índice de apneia/hipopneia (IAH), a escala de sonolência de Epworth (ESS) e a escala visual analógica da roncopatia (VAS).
A amostra incluiu 64 doentes, dos quais 69% (n=44) eram do sexo masculino. A maioria (81%; n=52) apresentava SAOS ligeira a moderada.
Os resultados revelaram uma correlação negativa estatisticamente significativa entre o FOSQ-30 e a ESS (r = -0,673; p<0,001), indicando que níveis mais elevados de sonolência diurna estão associados a pior funcionamento diário. Também a intensidade da roncopatia, medida pela VAS, mostrou uma correlação negativa com o impacto funcional (r = -0,280; p=0,025).
Por outro lado, não se observaram correlações estatisticamente significativas entre o FOSQ-30 e o IMC, o perímetro cervical ou o índice de apneia/hipopneia. Da mesma forma, não houve diferenças relevantes no impacto funcional entre doentes com SAOS ligeira, moderada ou grave.
Os autores concluem que os sintomas percecionados pelos doentes, em particular a sonolência diurna e o ressonar, são determinantes para o impacto da SAOS na qualidade de vida, independentemente da gravidade medida por exames do sono.
Estes resultados sublinham a necessidade de integrar escalas funcionais e sintomáticas na prática clínica, permitindo uma abordagem mais centrada no doente e uma melhor compreensão do verdadeiro impacto da doença no quotidiano.
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