Numa decisão importante para a saúde pública nacional, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou o alargamento da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Programa Nacional de Vacinação (PNV) a homens e mulheres até aos 26 anos. Esta medida permite a Portugal reforçar o compromisso assumido para a eliminação das doenças e dos cancros causados pelo HPV.
Até agora, a vacinação gratuita contra o HPV estava direcionada sobretudo à população pediátrica e adolescente, deixando parte da população jovem adulta sem acesso gratuito. A atualização agora anunciada permite a vacinação de mulheres não previamente vacinadas, em paralelo com o alargamento aos homens, alinhando a estratégia nacional com os objetivos de controlo da transmissão do HPV e de eliminação de doenças e cancros associados.
“Esta decisão representa um avanço muito significativo na prevenção do HPV em Portugal e um passo concreto rumo a um objetivo maior: a eliminação de doenças e cancros associados ao HPV, estabelecido pela Comissão Europeia e assumido pelo Estado português”, afirma Mario Ferrari, diretor-geral da MSD Portugal. “Estamos orgulhosos por sermos parceiros neste marco histórico e reafirmamos o nosso compromisso em apoiar o sucesso contínuo do PNV.”
Alargamento da vacinação e interrupção da transmissão do HPV
A inclusão de homens jovens nesta nova fase do PNV é uma medida estratégica para quebrar o ciclo de transmissão do HPV. Ao serem vacinados, os homens não só se protegem contra doenças oncológicas que os afetam diretamente, como o cancro do pénis e do ânus, mas também contribuem para a proteção indireta da população (“imunidade de grupo”), ao prevenir a transmissão do HPV entre os sexos e em relações entre pessoas do mesmo sexo, reduzindo a circulação global do vírus na comunidade.
Esta decisão assenta no sucesso comprovado do PNV. A vacinação contra o HPV começou em 2008, para raparigas adolescentes com 13 anos de idade e com uma campanha de repescagem até aos 17 anos, sendo depois alargada aos rapazes de 10 anos em 2020. Com taxas de vacinação consistentemente superiores a 90%7, o programa português é hoje um exemplo a nível europeu.
A estratégia de vacinação em Portugal utiliza a vacina nonavalente recombinante, que confere proteção contra os genótipos de HPV 6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58². Estes genótipos são responsáveis por aproximadamente 90% dos cancros do colo do útero, 90-95% dos cancros do ânus e cerca de 90% dos casos de verrugas genitais². A vacina é composta por partículas semelhantes ao vírus (VLPs) da proteína L1, que são não-infeciosas e induzem uma resposta imunitária humoral robusta. Estudos clínicos demonstram uma eficácia superior a 96% na prevenção de lesões pré-cancerosas de alto grau (CIN 2/3, VIN 2/3, VaIN 2/3) e cancro, causadas pelos genótipos de alto risco contidos na vacina².
Evidência económica do alargamento da vacinação contra o HPV
Para além do benefício clínico e epidemiológico estabelecido, a medida apresenta também um impacto económico positivo para o Estado português. O estudo “Assessing public economic gains from expanding HPV vaccination in Portugal“¹, que analisou o retorno do investimento público associado ao aumento das taxas de cobertura da vacinação contra o HPV em Portugal, concluiu que a extensão da vacinação contra o HPV a homens adultos até 26 anos de idade e a mulheres não vacinadas entre 18 e 26 anos de idade poderá resultar numa redução do ónus social e fiscal estimada em 124 e 109 milhões de euros, respetivamente.
O estudo demonstrou ainda que por cada euro adicional investido na vacinação de jovens até aos 26 anos, o Estado obtém um retorno de 1,70 euros. No que diz respeito à carga social, o retorno estimado é de 1,90 euros.