PUB

Comportamentos aditivos em Portugal: “Temos de continuar a acompanhar de perto e a refletir em conjunto”

Elsa Belo

O debate em torno dos comportamentos aditivos em Portugal exige uma reformulação na postura dos serviços de saúde, priorizando o acolhimento imediato e a eliminação de barreiras administrativas. No encerramento do ciclo de debates Break Talks, Elsa Belo, diretora técnica da Associação Ares do Pinhal, defendeu que a redução de riscos deve ser a principal porta de entrada para o sistema. A especialista alertou para a necessidade de humanizar a linguagem clínica e avisou que o foco nas novas dependências digitais não pode deixar crescer, no silêncio, o problema das “drogas duras” e do álcool. Assista à entrevista.

Para Elsa Belo, o balanço das sessões de trabalho reforça que a discussão em torno das adições é uma necessidade permanente e dinâmica. O surgimento de novas realidades não anula os problemas históricos do país, obrigando os profissionais a saírem da sua zona de conforto. “Os comportamentos aditivos em Portugal nunca, mas nunca devem deixar de ser falados. Temos de continuar a acompanhar de perto, a refletir em conjunto e a envolver quer os atores da sociedade civil, como todas as instituições públicas”, reforça.

Uma das principais urgências identificadas na realidade nacional prende-se com a abordagem clínica e a forma como os técnicos comunicam com os utentes e relembra que “sem a empatia necessária não é possível chegar à pessoa. A linguagem, segundo a diretora técnica, tem o poder de determinar o sucesso ou o fracasso de uma intervenção.

Embora reconheça a importância de estudar e mapear os novos comportamentos aditivos sem substância, como o gaming (videojogos) e o gambling (jogo a dinheiro), Elsa Belo deixa um alerta sobre o risco de desviar o foco das frentes clássicas de combate. O grande receio do terreno é que as dependências tradicionais continuem a progredir sem a devida atenção mediática ou governamental. Adicionalmente, sublinha que o consumo de álcool entre as camadas mais jovens tem de se manter no topo das prioridades nacionais.

Para passar do debate à prática regulamentar, a diretora técnica propõe a aplicação imediata de estratégias de redução de riscos e minimização de danos como o primeiro ponto de contacto em toda a rede assistencial. Como medida estrutural urgente, a especialista elege o fim das amarras administrativas para acelerar as respostas no terreno. O objetivo final é garantir que os centros de tratamento funcionem com “portas abertas”, oferecendo respostas rápidas, desburocratizadas e visíveis, permitindo que qualquer cidadão saiba exatamente onde pedir ajuda.

Acompanhe as Break Talks aqui.

Terça-feira, 01 Setembro 2026 15:23


PUB