A coexistência entre as dependências tradicionais e as novas adições sem substância exige uma resposta cada vez mais ágil e integrada. Elsa Lavado, técnica superior da Unidade de Estatística e Investigação do ICAD, faz o balanço das Break Talks e aponta que a prioridade para Portugal passa por reforçar os recursos humanos e encurtar a distância entre a produção de dados estatísticos e a ação direta no terreno. Para acelerar esta resposta, a especialista reflete que é importante diminuir o peso da burocracia. Assista à entrevista.
Elsa Lavado faz um balanço muito positivo, sublinhando que iniciativas como esta “são sempre inovadoras, trazem sempre um fator qualitativo para acrescentar algo à discussão que é sempre atual”. Relativamente à realidade portuguesa e à urgência do tema, a técnica do ICAD destaca uma constatação que ficou patente ao longo das sessões: “Os consumos tradicionais, com substância, apesar de, aparentemente, não estarem tão na moda, continuam lá e não podem ser descurados”. A grande conclusão é a de que existe uma clara sobreposição de desafios, pois “os consumos com substância e os consumos sem substância não se invalidam um ao outro e, por vezes, até podem mesmo coexistir”, reflete.
Para a especialista, uma das necessidades prementes é “o aumento dos recursos humanos”, uma vez que este acréscimo de trabalho do ICAD se deve, em grande parte, à necessidade de “incluir também as adições sem substância”. Ao nível do sistema implementado no terreno, Elsa Lavado acredita que a prioridade passa por “agilizar a comunicação” e o foco deve estar em “alimentar o que existe da produção de informação, da produção de dados, e por sua vez, a partir daqui, também dar conhecimento a todas as áreas da intervenção, havendo em contínuo um feedback“.
Se tivesse o poder de retirar apenas um constrangimento para acelerar a resposta aos comportamentos aditivos, Elsa Lavado refere que aliviaria o peso da burocracia que existe. A técnica superior defende que é vital tornar o sistema “muito mais célere” e otimizar os “sistemas de alerta que já existem”, um tema que, como recorda, é amplamente sublinhado no Relatório Mundial das Drogas de 2026. O objetivo principal sem este constrangimento burocrático seria permitir “uma integração da informação que todos trazem, haver uma ligação e funcionarem como um puzzle que depois, por si só, torna-se em algo prático que possa ser aplicado no terreno”, salienta.
Acompanhe as Break Talks aqui.
