A urgência de preparar as novas gerações para os inevitáveis estímulos do mundo digital e das substâncias dominou a intervenção do psiquiatra Rodrigo Coutinho. O especialista falou à margem da segunda sessão das #BreakTalks, uma iniciativa promovida pela News Farma, que se focou no “Tratamento dos comportamentos aditivos: estratégias públicas e respostas no terreno”. Na sua análise, alertou para o perigo de se ignorar o impacto dos ecrãs e apelou a uma maior responsabilização de toda a sociedade.
Para o médico, o contacto com as redes sociais, o digital e até o uso de substâncias são situações difusas, mas que “acabam sempre por ser inevitáveis na vida das pessoas”. O grande problema, lamenta, é a falta de preparação. Rodrigo Coutinho defende que apostar na literacia é “fundamental”, porque quanto mais fortalecermos as crianças e adolescentes, “maior a possibilidade de esses riscos serem minimizados e evitados”.
O psiquiatra adverte ainda que a gestão das novas adições tecnológicas é “mais complicada” porque estas “estão muito mais difundidas”, com acesso diário garantido. Face a este cenário, o especialista é perentório: “Parece-me que tem que haver uma política mais agressiva ou incisiva em relação aos riscos destes instrumentos e destes estímulos, que possam ajudar também os miúdos a perceber o que pode ser negativo para eles no uso indevido ou exagerado”. Rodrigo Coutinho conclui com uma crítica à atitude generalizada dos adultos, sentindo que “há muita permissividade na utilização dessas tecnologias” e que se desvaloriza a sua “influência muito intensa e por vezes muito negativa nos miúdos”.
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