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Porto acolhe a elite mundial da investigação em incretinas: “Um reconhecimento da contribuição nacional”

De 3 a 5 de setembro de 2026, o Instituto de Ciências Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto será o palco principal do European Incretin Study Group Meeting. A News Farma falou com Mariana P. Monteiro, Chair do Steering Committee do European Incretin Study Group, que levanta o véu sobre as grandes expectativas para esta edição e os mais recentes avanços nas terapêuticas que revolucionaram o tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade.

Mariana Monteiro

News Farma (NF) | Em 2026, o European Incretin Study Group da Sociedade Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD) irá reunir no Porto. O que representa para a comunidade nacional acolher esta reunião e quais são as expectativas para esta edição?

Mariana P. Monteiro (MPM) | O European Incretin Study Group Meeting 2026 decorrerá de 3 a 5 de setembro, no Instituto de Ciências Abel Salazar da Universidade do Porto.  Esta será a sexta edição de uma reunião de peritos internacionais com interesse no tema, depois de cinco encontros muito bem-sucedidos realizados em 2015, em Copenhaga; 2017, em Pisa; 2019, em Bochum; 2022, em Lausanne; e 2024, em Cambridge.

Ao longo destas edições, as reuniões do European Incretin Study Group têm sido organizadas em contexto académico pelos respetivos Chairs do Steering Committee do Grupo, cargo que assumi no presente biénio.

Receber este grupo de cerca de 150 médicos e académicos com interesse na fisiologia e fisiopatologia das incretinas e nas suas aplicações clínicas, na Universidade do Porto, constitui, para Portugal, um reconhecimento da contribuição nacional para esta área. É também uma oportunidade para dar maior visibilidade à investigação que se desenvolve em Portugal e para reforçar a integração dos nossos investigadores nas redes científicas internacionais. As expectativas para esta edição são, por isso, muito elevadas.

NF | As terapêuticas baseadas em incretinas transformaram profundamente o tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade. Em que ponto se encontra atualmente esta área e quais considera serem os avanços mais promissores que serão discutidos durante a reunião?

MPM | Estamos numa fase de crescimento exponencial da investigação nesta área. Como referiu, a descoberta das incretinas foi revolucionária e modificou profundamente a prática clínica e o tratamento da diabetes tipo 2 da obesidade. Será este o tema da sessão plenária de abertura, proferida pelo Professor Michael Nauck, responsável pela descoberta do efeito incretina, que será moderada pelo Professor Jens J Holst, responsável pela descoberta da primeira incretina com aplicação clínica, o GLP-1.

Porém, neste momento, a investigação tem mostrado que existem outras áreas terapêuticas nas quais a sua aplicação é igualmente promissora, o que está bem refletido no programa científico desta reunião. Um dos temas particularmente relevantes é a sessão sobre GLP-1 e comunicação intestino-cérebro. Compreender como os sinais provenientes do intestino são integrados pelo sistema nervoso central ajuda-nos a perceber melhor fenómenos como a regulação da ingestão alimentar e do metabolismo. É este percurso, da biologia fundamental para a compreensão da doença e, posteriormente, para o desenvolvimento de novas terapêuticas, que torna a investigação nesta área tão relevante. Quanto melhor compreendermos os mecanismos, maior será a nossa capacidade de desenvolver tratamentos mais eficazes e de explorar novas ferramentas terapêuticas.

NF | Para além da sessão plenária de abertura, a reunião integra sessões de comunicações orais e apresentação de posters. Que oportunidades oferece este encontro para o desenvolvimento de novas colaborações e para a afirmação dos jovens investigadores?

MPM | O formato científico do European Incretin Study Group tem precisamente como objetivo estimular a apresentação e discussão dos trabalhos mais recentes nesta área.

As sessões científicas são exclusivamente organizadas com base nos resumos submetidos, selecionados pelo steering committee para apresentação oral ou em formato de poster. Esta abordagem tem tido bastante sucesso na promoção da participação de cientistas e clínicos, tanto académicos como da indústria farmacêutica, permitindo a apresentação e discussão dos avanços científicos mais recentes.

Para os jovens investigadores, esta é uma oportunidade particularmente relevante. Apresentar o seu trabalho perante uma comunidade de peritos internacionais permite dar visibilidade ao seu trabalho, estabelecer contactos que podem vir a resultar em novas colaborações e ainda a possibilidade de receber um dos três prémios de Outstanding Early Career Researcher.

NF | Enquanto investigadora, endocrinologista e atual Chair da Steering Committee do European Incretin Study Group, que mensagem gostaria de deixar aos investigadores e clínicos do grupo que irão participar nesta reunião no Porto?

MPM | Teremos um programa científico muito estimulante. Será igualmente um privilégio receber-vos no ICBAS – Universidade do Porto, uma instituição académica nacional de referência, que alia uma forte tradição no ensino e na investigação a um ambiente particularmente favorável à discussão e à colaboração científica. Espero que, para além da ciência, consigam também descobrir o Porto, uma cidade histórica, com uma identidade muito própria e uma enorme riqueza cultural.

Venham ao Porto, partilhem a vossa ciência, estabeleçam novas colaborações e, acima de tudo, que levem boas memórias!

Terça-feira, 01 Setembro 2026 12:40


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