“É necessário alertar a população para a doença renal crónica dada a sua elevada incidência e prevalência”

10/03/22
“É necessário alertar a população para a doença renal crónica dada a sua elevada incidência e prevalência”

No âmbito do Dia Mundial do Rim, assinalado hoje, 10 de março, o presidente da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais (APIR), José Miguel Correia alerta, em entrevista à News Farma, para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce da doença renal crónica, em Portugal.

José Miguel Correia identifica o principal objetivo para combater a problemática da doença renal crónica no país: “É necessário alertar a população para esta doença que tem muita incidência e prevalência em Portugal.” A APIR celebra anualmente a efeméride para consciencializar a população para esta patologia crónica. “Lutamos pela possibilidade de as pessoas fazerem uma prevenção neste sentido.” O elevado número de casos no país deve-se a vários fatores, nomeadamente socioeconómicos, de saúde e pela escassa prevenção na parte da saúde primária.

Relativamente ao diagnóstico, o presidente da APIR afirma que “é uma doença silenciosa e, por isso, habitualmente os doentes começam a ser tratados numa fase mais avançada da doença.” José Miguel Correia reforça que “o diagnóstico precoce é uma das armas para reduzir o número de novos casos que se registam anualmente. Pode fazer a diferença para que os doentes considerem o tratamento e o iniciem mais cedo”, diminuindo assim os riscos associados. “As Unidades de Saúde Familiar podem detetar e referenciar as pessoas para as unidades de Nefrologia hospitalares.”

Os fatores de risco de saúde associados à doença têm tido percentagens preocupantes para a associação. “A informação que obtivemos referente a 2020, pela Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), indica uma incidência a nível de diabetes de 33%, associado à hipertensão de aproximadamente 15%, e situações crónicas nos 12%. Continuamos a ter uma grande incidência em diabetes e hipertensão em comparação com os outros países da Europa, embora tenhamos tratamentos bem preparados”, resultado da evolução tecnológica.

Tendo em conta que, numa fase inicial, os sintomas são difíceis de identificar, o presidente da APIR explica que “esta é uma doença muito silenciosa. Muitas vezes, os doentes não têm antecedentes com o mesmo problema. Geralmente só nos apercebemos do agravamento da doença no estadio quatro ou cinco, quando os sinais se tornam mais evidentes e violentos. Por isso, apelamos à prevenção e ao diagnóstico precoce.”

Relativamente à transplantação renal, José Miguel Correia afirma que Portugal é dos países que mais realiza este procedimento na Europa. “Temos uma excelente coordenação entre os hospitais e excelentes unidades de transplantação. Devido à situação da pandemia, houve menos transplantação, mas acreditamos que, nos próximos anos, à medida que a situação estabilizar, os números aumentem também.” O presidente da APIR esclarece que, “em alguns casos de doentes com cancro do rim, necessitam de efetuar tratamento de substituição renal ao tornarem-se doentes renais crónicos. Esse tratamento tem tido uma evolução considerável ao longo dos anos.”

Já sobre a prevenção, a APIR juntamente com a SPN, procuram manter aumentar a literacia nesta área, alertando a população nesse sentido. “Publicamos nas redes sociais informação relevante para os doentes renais em Portugal e alertas para a população em geral relativamente a cuidados que podem ter para evitar a evolução da doença.” Os rastreios também resultam para o combate dessa evolução. Por esse motivo, tornou-se num dos objetivos concretizados da APIR. José Miguel Correia, orgulha-se desse feito: “Realizamos todos os anos rastreios em várias cidades em Portugal continental e nas ilhas da Madeira e dos Açores, com o apoio das escolas de Enfermagem, da SPN e outras instituições.” Por fim, o presidente volta a apelar às entidades oficiais portuguesas para “continuarem a melhorar a informação e a divulgação da doença.”

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