"Uma distinção com um significado muito especial"

22/03/22
"Uma distinção com um significado muito especial"

A Unidade de Reabilitação Cardíaca do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) recebeu recentemente a acreditação por parte da European Association of Preventive Cardiology (EAPC) na área da prevenção secundária e reabilitação cardíaca. A News Farma entrevistou o Prof. Doutor João Morais, diretor do Serviço de Cardiologia, que partilhou o sentimento vivido pela equipa com este reconhecimento, explicou o trabalho desenvolvido pela Unidade e o que a distingue, e traçou o panorama atual da reabilitação cardíaca e os desafios futuros da área. Veja o vídeo.

"Não significa que somos melhores que os outros, mas sim que existem recomendações internacionais para reabilitação cardíaca, e nós cumprimo-las, o que é um motivo de satisfação muito grande", expressa o Prof. Doutor João Morais. Partilha orgulho vivido por toda a equipa e a forma como esse sentimento gerou ainda mais motivação no trabalho desenvolvido. 

Segundo o especialista, para o cidadão comum, e até para o médico comum, a reabilitação cardíaca é associada a exercício físico, mas que este é apenas uma componente de um programa multidisciplinar que envolve outras áreas como a Psicologia e Psiquiatria, o ensino, o estudo da diabetes e do comportamento alimentar, a cessação tabágica, entre muito outros fatores que tornam o processo do doente mais completo. Para além destes setores, o Prof. Doutor João Morais afirma que aquilo que distingue a Unidade de Reabilitação Cardíaca do CHL é o fator da motivação. "O doente motivado vai cumprir e vai fazer tudo bem. Isto é importante porque um programa de reabilitação cardíaca bem executado tem um impacto na vida do doente tão grande como as pastilhas para o colesterol, como os processos de intervenção nas coronárias, como muitas outras coisas que fazemos", explica.

Detalha que o processo de candidatura foi muito exigente e que foi rigorosa a forma como a Unidade teve de comprovar que cumpria com todas as recomendações necessárias para obter a certificação. Refere que o contexto pandémico obriga a que a EAPC tenha esta postura de exigência visto que não é possível que se desloquem a todos os centros para ver presencialmente o trabalho desenvolvido, e por isso foram necessários registos, documentação, gravação de vídeos, entre outros suportes que corroborarem-se o cumprimento das recomendações.

Sobre o futuro, o Prof. Doutor João Morais aponta que o grande desafio para a instituição é ter condições para receber mais doentes com diferentes patologias. Afirma que as limitações não passam pelo ponto de vista económico porque não existe um grande investimento em tecnologia como em outras áreas da Medicina. O problema passa pelo espaço físico e pelos recursos humanos. "São necessários mais cardiologistas interessados nesta área, mais profissionais que se possam dispensar para auxiliar nesta área, e aqui é que temos problemas, diria como quase todos os serviços nacionais têm", acrescenta.

"Tem sido uma área menor, precisa de ser melhor divulgada no plano nacional, a Coordenação Nacional de Doenças Cardiovasculares fala pouco dela, e nada acontece. O que eu queria era chamar a atenção que isto vale a pena", comenta o diretor do Serviço de Cardiologia. "É fundamental que exista um plano nacional para esta área, algo que até ao momento, é uma pena que não exista", conclui.

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