Centro de Risco Cardiovascular e Trombose do Hospital da Luz: “O caminho organizado e integrado da Cardiologia”

09/06/22
Centro de Risco Cardiovascular e Trombose do Hospital da Luz: “O caminho organizado e integrado da Cardiologia”

A prevenção, deteção e tratamento do risco cardiovascular e doença subclínica são as pedras basilares do novo Centro de Risco Cardiovascular e Trombose do Hospital da Luz - Torres de Lisboa. Coordenado pelo Prof. Doutor Victor Gil, cardiologista, este novo centro que abre portas já este mês de junho, através de um carácter diferenciador no diagnóstico e tratamento da doença cardiovascular, pretende recorrer a uma abordagem holística e integrada da trombose, contribuindo para a melhoria da resposta da equipa médica e, consequentemente, do doente. Para isso, recorre-se a ferramentas diagnósticas avançadas procurando ir mais longe do que o definido nos critérios de orientação básicas internacionais. Veja a entrevista.

Já dizia o provérbio “mais vale prevenir do que remediar” e, por isso, o Hospital da Luz criou “um programa integrado de tratamento do risco cardiovascular e aterosclerótico ainda antes de haver complicações”, de forma a colmatar as necessidades do sistema de saúde. Convidado para um novo desafio na sua carreira profissional, o Prof. Doutor Victor Gil, juntamente com uma equipa multidisciplinar, construiu o projeto e fez acontecer: “Plantámos uma árvore, regámos, mas o que acontecer no fim vai depender da nossa capacidade de trabalho, compreensão dos doentes e dos colegas.”

“Mais do que ir mais longe na avaliação do risco e deteção de doença já presente em fase ainda silenciosa”, acrescenta, “pretende-se fazer um tratamento integrado do risco”, através da modificação do estilo de vida, com acompanhamento personalizado (coaching), correção de problemas associados obesidade, pouco exercício físico e má alimentação, com orientação quando necessário para programa de desabituação tabágica. Além dos fatores de risco ditos “ambientais” o Centro irá proverá também a correção dos Factores de Risco “metabólicos” com tratamento farmacológico da hipertensão arterial, diabetes e dislipidemia. O modelo de trabalho será target-oriented, com definição de objetivos individuais conforme as orientações das guidelines europeias de prevenção.

O Centro de Risco Cardiovascular e Trombose do Hospital da Luz apresenta “num mesmo local todas estas valências, sendo uma experiência que se pretende desenvolver tanto para os doentes como para os médicos”, partilha. Os especialistas podem, em determinado momento, necessitar de “propor um caminho mais organizado e integrado” aos seus doentes, que “será depois seguido pelos próprios colegas”. Este é um modelo de colaboração que se pretende desenvolver, em que o Centro dará com os doentes os primeiros passos que poderão continuar a ser acompanhados pelo médico referenciador.

Um centro inovador pressupõe métodos modernos, diferenciadores que incluem análises de marcadores sanguíneos menos convencionais, em subgrupos definidos, associados à avaliação clínica e aos parâmetros habituais que permitirão ter o cálculo automático do risco no nosso sistema informático. A identificação da aterosclerose em fase subclínica é feita usando meios de imagem como a ecografia vascular ou a determinação do “score de cálcio” das coronárias, sempre que apropriado.

O especialista destaca também o programa de prevenção da trombose e de tratamento dos doentes em risco: dois fatores que “andam muito próximas”. No entanto, em entrevista, o Prof. Doutor Victor Gil realçou que este novo centro e programas “não vêm substituir, mas antes procurarão integrar outros programas que já estão em curso”, pretendendo apenas acrescentar valor sempre que possível. E acrescenta: “Vamos integrar e procurar a colaboração de todos os programas para um mesmo objetivo — prestar um bom serviço à população-alvo que são os doentes.”

O Centro de Risco Cardiovascular e de Trombose, além do seu carácter clínico, pretende sobressair na investigação clínica e translacional bem como na educação médica. De momento, apresenta-se “um grande desafio”: a ligação a centros de investigação do grupo e outros, nomeadamente universitários. O especialista acredita que, para quem trabalha neste ramo, “é desafiante propor o estudo de elementos menos conhecidos à investigação básica”.

Além disso, o Centro vai ser também palco do desenvolvimento e participação de ensaios clínicos. “Acho que este é um dos capítulos em que pode haver uma grande colaboração e um casamento perfeito.”

Da investigação ao ensino, a equipa do Centro pretende contribuir para ações que “aumentem a literacia da população e colaborar na melhoria dos conhecimentos dos colegas de diferentes especialidades”, sem foco específico nos cardiologistas, já que “o risco cardiovascular é transversal”.

O Hospital da Luz, considerado “um centro tão diferenciado de Cardiologia”, pretende, por isso, criar uma Medicina Personalizada como o próximo passo para um futuro com uma abordagem preventiva e as necessidades cardiovasculares respondidas.

A Medicina Cardiovascular “é uma praia muito grande”, mas grão a grão, o Centro de Risco Cardiovascular e Trombose está a ser construído e equipado até ao momento da sua inauguração, no dia 22 de junho, às 16h00, no Hospital da Luz - Torres de Lisboa.

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