“É possível tratar com sucesso o cancro do pulmão desde que detetado precocemente”

28/06/22
“É possível tratar com sucesso o cancro do pulmão desde que detetado precocemente”

O Dr. Gonçalo Paupério, cirurgião torácico do IPO Porto, destaca a abordagem uniportal, na qual se realiza apenas uma incisão num só espaço intercostal, diminuindo o espaço de agressão e a dor sentida. Além disso, está associada a uma recuperação mais célere e a uma menor taxa de infeção e limitação funcional do membro superior. Em entrevista, acrescenta que “a mesma técnica cirúrgica evoluiu” e que permite atualmente realizar em doentes com nódulos pequenos, limitados a um só segmento. Assista à entrevista.

Com cerca de 5500 novos casos de cancro do pulmão, apenas 15 % dos doentes são diagnosticados em estadios iniciais, capazes de um tratamento curativo eficaz e acesso a tratamentos radicais com radioterapia e quimioterapia ou até mesmo cirúrgicos. Apesar de estar estabilizado nos homens, este valor tem vindo a crescer nas mulheres, acompanhando o aumento do consumo tabágico neste género.

Após a identificação da população em risco, o principal objetivo é diagnosticar precocemente com a realização periódica de uma TAC com baixa dose de radiação, como explica o especialista. Através deste método, “houve uma melhoria da deteção de nódulos em fase precoce”, pelo que os doentes puderam ter acesso a terapêuticas com “melhores resultados”.

A cirurgia robótica demonstrou uma significativa evolução, não só tornando-se menos invasivas, como permitindo ângulos difíceis e diferentes. “Neste momento, estão a ser desenvolvidos algoritmos, mesmo inteligência artificial, para deteção de hemorragia, etc, que, eventualmente, poderão ser aplicados tornando a cirurgia cada vez mais segura e mais precisa.”

Além disso, o especialista destaca a clínica do pulmão do IPO Porto que assume um “grande valor e importância à multidisciplinaridade”, contando com um oncologista, para o diagnóstico e estadiamento da neoplasia, um enfermeiro, que sinaliza os principais problemas, e por um assistente social, para avaliar a retaguarda destes doentes.

Para o tratamento, a decisão é tomada em “reunião multidisciplinar” em conjunto com o oncologista, pneumologista, cirurgião torácico, radiologista, imagiologista e ainda patologista para que seja possível decidir realmente o melhor tratamento para o doente. “Se o doente aceitar o nosso conselho, iniciará o tratamento.”

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