O diagnóstico e a monitorização da epilepsia continuam a enfrentar um paradoxo central: embora o hospital disponha de tecnologia sofisticada e de um ambiente altamente controlado, a doença raramente se deixa capturar nesse enquadramento. Pela sua natureza intermitente e profundamente dependente do contexto de vida real, as crises epilépticas e as alterações epileptiformes no EEG surgem frequentemente fora da janela temporal dos exames intra-hospitalares, por regra breves e realizados em condições artificiais.
Foi neste contexto que, no 37.º Encontro Nacional de Epileptologia, Daniel Filipe Borges, docente da Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto e investigador doutorado em Neurociências pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, integrado no RISE-HEALTH/TBIO, defendeu que, em casos selecionados, importa levar parte dessa capacidade tecnológica ao quotidiano do doente através de dispositivos wearables clinicamente validados.

