SNS recebeu 48 dos 1.022 gâmetas doados em 2021

01/06/22
SNS recebeu 48 dos 1.022 gâmetas doados em 2021

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) recebeu 2,7 % dos ovócitos e 4,3 % dos espermatozoides doados em 2021, tendo o restante sido doado a centros privados, de acordo com a presidente do Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida (CNPMA), que considera a diferença “abissal”.

Dados preliminares avançados pela Dr.ª Carla Rodrigues indicam que em 2021 houve 1.022 dádivas de ovócitos, das quais 28 foram para o SNS, e 470 de espermatozoides (20 para o SNS).

A Dr.ª Carla Rodrigues explicou que os dadores optam pelo setor privado por possuir “recursos, meios, condições e dá resposta às pessoas”, enquanto no serviço público há falta de profissionais para atender as pessoas que se dirigem para doar, o que exige uma maior disponibilidade de tempo do dador.

O Governo criou mais bancos de recolha de gâmetas, mas não os dotou do pessoal e dos meios necessários, referiu a responsável pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, comentando que “a intenção era muito boa, mas na prática não teve aplicabilidade”.

Por outro lado, explicou, a compensação que os dadores recebem é a que está estipulada por lei, sendo igual no público e no privado, não contribuindo por isso para esta discrepância a nível de doações.

Em 2019, ano em que foi registado um pico de dádivas, houve 1.182 doações de ovócitos e 841 de espermatozoides, número que baixaram em 2020 para 875 doações de ovócitos e 428 de espermatozoides.

Analisando os dados, a presidente do CNPMA afirmou que “não chegam para as necessidades nem do privado, quanto mais do público”.

“Há muito mais dadoras mulheres do que homens e nós temos muito mais carências de gâmetas masculinos do que femininos”, alertou.

No SNS, lamentou, praticamente não se fazem tratamentos com gâmetas doados, porque não há gâmetas disponíveis, além de a espera ser de cerca de três anos e meio para estes tratamentos.

As pessoas acabam por recorrer aos centros privados, mas mesmo o privado não é autossuficiente, sobretudo em gâmetas masculinos, importando-os do estrangeiro para poder responder à procura.

“A taxa de incidência de infertilidade conjugal aumenta ano após ano. Portanto, a carência de gâmetas para tratamentos também aumenta ano após ano e não há um aumento proporcional da disponibilidade de gâmetas”, observou.

Depois também aumenta ano após ano o número de tratamentos que são feitos por casais de mulheres e mulheres sozinhas.

“A procura é cada vez maior e a resposta no SNS é cada vez menor, e a pandemia veio agravar um problema que já de si, era muito grave” porque houve necessidade de encerrar os centros durante “um grande período de tempo e não conseguiram recuperar as listas de espera”.

Para aumentar as dádivas de espermatozoides, a Dr.ª Carla Rodrigues defendeu que "é preciso talvez maior sensibilização dos homens para serem dadores".

A este propósito, disse que seria interessante fazer um estudo sobre o perfil dos dadores femininos e masculinos em Portugal, sobretudo na altura em que passou a haver a possibilidade de as crianças nascidas terem conhecimento da identidade do seu dador.

Fonte: Lusa

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