Estudo indicia que amamentação exclusiva prolongada tem uma associação protetora contra a asma infantil

02/06/22
Estudo indicia que amamentação exclusiva prolongada tem uma associação protetora contra a asma infantil

As exposições alimentares pré-natais e no início da vida são fatores potencialmente modificáveis que podem influenciar o desenvolvimento da asma nas crianças. Neste grande estudo, com coorte diversificado do ponto de vista sócio-económico e racial/étnica, incluindo mais de 2000 díades mãe-filho, foram encontrados evidências que apontam para associações protetoras entre a duração mais longa da amamentação exclusiva e os outcomes da asma infantil. Estas associações robustas mantiveram-se mesmo após ajustamento para muitos fatores de confundimento. Por contraste, a duração de amamentação, que incluía díades com amamentação parcial ou exclusiva, não foi fortemente associada ao desenvolvimento subsequente de sibilos ou asma.

A asma é uma doença crónica das vias aéreas, caracterizada por episódios de hiperreatividade brônquica, obstrução das vias aéreas e inflamação. Como a maioria das crianças desenvolve sintomas antes dos seis anos de idade, a análise de exposições precoces pode ajudar a elucidar a fisiopatologia subjacente e os esforços para prevenir ou modificar a gravidade da doença.

Com efeito, exposições pré-natais e precoces, como o aleitamento materno, podem influenciar o desenvolvimento subsequente de asma por meio de efeitos no desenvolvimento dos sistemas imunológico e pulmonar. O leite materno humano é rico em microbiota, oligossacarídeos, fatores imunológicos, nutrientes, hormonas e fatores de crescimento que juntos influenciam o desenvolvimento do pulmão e do sistema imunológico, incluindo a formação do microbioma infantil, que inclui a sinalização de múltiplas vias moleculares e epigenéticas. Assim, a amamentação, incluindo duração e dose, é um importante fator potencialmente modificável fator no desenvolvimento da asma.

Contudo, como a relação entre a amamentação e o desenvolvimento de asma, não tinha sido devidamente estudada, este estudo teve como objetivo clarificar melhor esta relação.

Neste sentido, foram estudadas 2.021 díades mãe-filho do consórcio ECHO PATHWAYS de possíveis coortes de gravidez (GAPPS, CANDLE, TIDES). As mulheres relataram a duração dos aleitamentos maternos e outcomes de asma infantil durante o acompanhamento na idade da criança de 4-6 anos. Os outcomes incluíram outcomes atuais (últimos 12 meses), asma atual (tendo ≥2 de sibilos atuais, sempre asma, uso de medicamentos nos últimos 12-24 meses) e asma atual rigorosa (sempre asma com sibilos atuais e/ou uso de medicamentos nos últimos 12-24 meses). Foi usada a regressão logística multivariável para avaliar as associações (odds ratios e intervalos de confiança de 95 %) entre a amamentação e os resultados da asma ajustando-se aos potenciais fatores de confundimento. Foram ainda avaliadas as modificações dos efeitos por modo de parto, sexo infantil e asma materna.

Os resultados (Wilson K, et al. Annals of allergy asthma & immunology.2022) demonstraram que entre as mulheres, 33 %, 13 %, 9 % e 45 % relataram 0 <2, 2-4, 5-6, e >6 meses de amamentação, respetivamente. A duração de qualquer amamentação teve uma tendência linear protetora sempre com asma, mas nenhum outro outcome. Houve uma associação protetora dependente da duração de resultados exclusivos de amamentação e asma infantil (por exemplo, asma atual ajustada OR [95% CI]: 0,64 [0,41, 1,02], 0,61 [0,38, 0,98], e 0,52 [0,31, 0,87] para durações de 2-4, 5-6, e mais de 6 meses respetivamente, em comparação com menos de dois meses). Para a amamentação exclusiva, as associações protetoras eram mais fortes nas díades com crianças nascidas por parto vaginal versus cesárea, embora as interações não fossem significativas. Assim, este estudo permitiu concluir que uma duração mais longa da amamentação exclusiva tinha uma associação protetora com a asma infantil.

Partilhar

Publicações