Estudos indicam que doenças reumáticas têm elevado impacto psicossocial

06/06/22
Estudos indicam que doenças reumáticas têm elevado impacto psicossocial

Ter uma doença reumática ou músculo-esquelética (RDM) tem um impacto nas atividades diárias, no trabalho e sobretudo na qualidade de vida. Neste sentido, a European Alliance of Associations for Rheumatology (EULAR) tem feito esforços para sensibilizar para as RMD e promover a melhor qualidade de cuidados, incluindo o reconhecimento e apoio psicossocial.

No Congresso EULAR de 2022, vários grupos apresentaram resultados sobre a capacitação dos doentes e investigações com o objetivo de ajudar os doentes a lidar com a doença.

A Dr.ª Joana Vicente apresentou os resultados de um inquérito onde se propôs a identificar os níveis de invalidação e a falta de compreensão sentida pelos adultos com RMD. O grupo também se debruçou sobre a relação entre a invalidação, características sociodemográficas e doenças, e o seu impacto na qualidade de vida e saúde.

De mais de 1.500 respostas, 86 % relataram sentimentos de invalidação, na sua maioria da família (56 %), profissionais de saúde (48 %), amigos (39 %) e ambiente social (38 %). O impacto é principalmente sobre o bem-estar psicológico, mas também reduz a procura de cuidados de saúde e adesão à terapêutica. Os resultados também demonstraram que não foram observadas diferenças de género ou de estado civil.

A investigação mostra que os deontes com um RMD têm receio em falar com a equipa de cuidados de saúde que os segue, podendo impactar as escolhas de tratamento. No Congresso EULAR, a Dr.ª Petra Borsje partilhou notícias sobre o desenvolvimento de quatro doentes com recurso à conversação, nos Países Baixos. As ferramentas resultantes concentram-se na doença, atividade diária, estilo de vida, relações e bem-estar.

A capacitação dos doentes foi também o tema de uma apresentação da Prof.ª Doutora Kristine Marie Latocha, que analisou o efeito da terapia cognitiva comportamental em grupo para a insónia (CBT-I) em doentes com artrite reumatoide (AR). Os resultados deste ensaio controlado aleatorizado mostraram que a CBT-I, baseada em grupos durante seis semanas, não melhorou objetivamente a eficiência do sono ou outros resultados medidos pela polissonografia. Contudo, a CBT-I mostrou uma melhoria a longo prazo dos resultados, tais como insónia, perturbações do sono, fadiga, impacto da doença e depressão.

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