Enxaquecas: cirurgia é um método "seguro e eficaz" na melhoria da qualidade de vida dos doentes, indica estudo

29/06/22
Enxaquecas: cirurgia é um método "seguro e eficaz" na melhoria da qualidade de vida dos doentes, indica estudo

“Uma em cada três pessoas com enxaquecas não melhora com fármacos”, nesse sentido, “a cirurgia pode ser uma alternativa”, afirma o Prof. Doutor António Costa Ferreira, professor da FMUP. O tratamento cirúrgico da enxaqueca é um procedimento “seguro e eficaz” e pode representar melhorias “significativas” na qualidade de vida dos doentes, refere um estudo protagonizado por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

O Prof. Doutor António Costa Ferreira lamenta que o procedimento continue a encontrar resistência no seio da comunidade médica e que os profissionais médicos, bem como próprios doentes, “ainda não estejam totalmente conscientes da existência desta possibilidade”. Por esta razão, o médico no Centro Hospitalar Universitário de São João publicou, em colaboração com as investigadoras Dr.ª Sara Henriques, Dr. Alexandre Almeida e a Prof.ª Doutora Helena Peres, um estudo na revista Annals of Plastic Surgery, uma publicação médica dedicada à cirurgia plástica e reconstrutiva.

A investigação consistiu numa revisão sistemática de estudos e artigos científicos publicados internacionalmente entre 1996 e 2020, sendo que “os resultados demonstram a existência de provas científicas, publicadas em revistas de grande impacto, a favor da segurança e eficácia do tratamento cirúrgico da enxaqueca”, descreve a FMUP.

Nos mais de 50 trabalhos de investigação analisados, os autores relatam uma melhoria significativa entre 58,3 % a 100 % dos casos e a eliminação completa do distúrbio em 8,3 % a 86,8 % dos doentes. Dados sobre a satisfação dos pacientes e o impacto na qualidade de vida foram analisados em nove estudos, ficando “demonstrado, de forma consistente, os benefícios da cirurgia”, é sublinhado.

Os investigadores destacaram, igualmente, a diminuição dos custos a longo prazo, comparativamente ao tratamento farmacológico, e o facto de que apenas foram relatadas pequenas e ocasionais complicações no pós-operatório, na sua maioria temporárias, como alguns casos de dormência, hematoma, alopecia, entre outros.

A enxaqueca é um distúrbio neurovascular generalizado que afeta, aproximadamente, 19 % das mulheres e 10 % dos homens. Uma combinação de fármacos e evitar fatores que possam desencadear uma crise constituem o tratamento padrão para combater as enxaquecas.

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