Projeto internacional do qual faz parte cientista portuguesa do i3S recebe financiamento europeu

26/10/22
Projeto internacional do qual faz parte cientista portuguesa do i3S recebe financiamento europeu

Quatro investigadores europeus, entre os quais uma portuguesa, receberam esta terça-feira, 25 de outubro, uma ERC Synergy Grant, atribuída pela Comissão Europeia, no valor de 10 milhões de euros, por meio de um projeto que pretende compreender a tolerância imunológica, nomedamente o momento em que esta tolerância se perde e o que isso acarreta antes do doente ter sintomas.

Denominado “GlycanSwitch: Glicanos como interruptores principais da atividade das células B na autoimunidade”, o projeto resulta de uma sinergia entre quatro investigadores principais: a Prof.ª Doutora Salomé Pinho, líder do grupo “Immunology, Cancer & GlycoMedicine” do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S), dois cientistas do Centro Médico Universitário de Leiden (LUMC), Países Baixos, e um investigador da empresa Genos e da Universidade de Zagreb, na Croácia.

As doenças autoimunes são doenças crónicas, debilitantes, podendo em alguns casos ser fatais, e trazer custos médicos e sociais. Como grande parte delas são incuráveis e as de elevada incidência, como a artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistémico, diabetes juvenil (tipo 1) e doença inflamatória intestinal, “têm vindo a aumentar em todo o mundo, estas doenças são consideradas um importante problema de saúde pública que necessita de intervenção urgente”, sublinha a Prof.ª Doutora Salomé Pinho. “Existe uma necessidade premente de compreender os mecanismos celulares e moleculares que provocam o descontrolo na resposta inflamatória e a perda de imunotolerância”, acrescenta a investigadora.

Em concreto, explica que o que se pretende é “compreender porquê, como e quando é que as modificações de glicanos (açúcares/carbo-hidratos) nas células B (um tipo de linfócitos/células imunes que atuam na resposta inflamatória e na produção de anticorpos) atuam como interruptores-mestre que desencadeiam a atividade anormal das células B, resultando assim na produção de autoanticorpos patogénicos associados à perda de tolerância imunológica e ao desenvolvimento da autoimunidade”.

No contexto do que significa uma ERC Synergy Grant, este projeto caracteriza-se pela “existência de uma verdadeira sinergia entre os quatro investigadores principais, em que o todo é maior do que a simples soma das partes”, esclarece a investigadora do i3S. “Existe uma combinação única de know-how em Reumatologia, Imunologia e Glicobiologia que, combinadas com a utilização de tecnologia avançada em glicoproteómica e glicómica, assim como a utilização de protótipos celulares e modelos animais únicos de doença autoimune, irá permitir uma abordagem transformadora e desvendar a causa da perda de imunotolerância e do desenvolvimento de doenças autoimunes”, acrescenta.

“Trata-se de um projeto que completará o ciclo da molécula ao doente, uma vez que as evidências experimentais que irão ser geradas serão validadas em doentes com doenças autoimunes como é o caso da artrite reumatoide”, garante a Prof.ª Doutora Salomé Pinho. A constante partilha de recursos científicos e humanos, de modelos experimentais e de tecnologia avançada entre os quatro investigadores e respetivos institutos “vai permitir uma verdadeira sinergia científica que vai potenciar a descoberta. Existe uma verdadeira interdependência entre todos os participantes ao longo da execução do projeto e em prol de um mesmo objetivo".

Para a Prof.ª Doutora Salomé Pinho, ganhar um projeto ERC, ainda por cima uma ERC Synergy Grant, que é a terceira vez que é atribuída a um português, “é atingir o expoente máximo do reconhecimento mundial da excelência da investigação e da ciência que desenvolvemos. A elevada competitividade que caracteriza os projetos ERC, a exigência científica e o rigor metodológico que caracterizam as avaliações dos projetos ERC pela Comissão Europeia através de um leque diverso e variado de revisores e experts mundiais de todas as áreas científicas que avaliam os projetos, revela a exigência do processo e torna este desfecho altamente gratificante".

Mais do que um reconhecimento individual, reconhece a Prof.ª Doutora Salomé Pinho, esta ERC representa um “reconhecimento coletivo do mérito da excelente equipa que me tem acompanhado ao longo dos anos e da excelência científica do instituto a que pertenço, o i3S”.

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