Especialistas pedem acesso equitativo a terapêuticas eficazes para a obesidade

03/03/23
Especialistas pedem acesso equitativo a terapêuticas eficazes para a obesidade

Especialistas alertam para a urgência da redução da "iniquidade social" que existe no acesso a tratamentos eficazes para a obesidade, que impacta negativamente classes socioeconómicas mais desfavorecidas. O alerta está expresso numa posição conjunta da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) e da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), com o tema “urgente reconhecer o impacto da obesidade na saúde e garantir um acesso equitativo a terapêuticas eficazes”, divulgada na véspera do Dia Mundial da Obesidade, 4 de março.

“Com o crescimento da curva de casos de obesidade em Portugal e, em paralelo, com o aumento do custo de vida e consequente impacto nas famílias portuguesas – atualmente, temos um em cada seis portugueses em risco de pobreza, segundo o INE –, torna-se cada vez mais difícil aceder a tratamentos que lhes tragam uma resposta efetiva e a longo prazo à obesidade”, afirma o presidente da SPEO, Prof. Doutor José Silva Nunes.

O especialista defende ainda ser “imperativo ativar mecanismos que permitam combater este desequilíbrio”, para travar gradualmente a progressão desta doença e do seu impacto.

“A obesidade é o grande problema de saúde pública do nosso tempo e tende a agravar-se no futuro se não atuarmos já, porque tal como nós médicos defendemos para o tratamento da doença em si, também enquanto comunidade, quanto mais cedo interviermos no combate a esta doença crónica maiores serão as probabilidades de sucesso”, diz, por seu turno, o presidente da SPEDM, Dr. João Jácome de Castro.

A acrescentar, o presidente refere que, “em vez de se atuar apenas no fim da linha, quando os doentes apresentam complicações como diabetes ou hipertensão, o sistema tem de se concentrar em promover a saúde, em garantir o acesso equitativo a ações de diagnóstico e de monitorização e à medicação, em particular numa fase em que já existem e continuam a surgir opções terapêuticas com resultados muito interessantes”.

Nesta posição conjunta, as sociedades médicas alertam também para “o impacto muito significativo” da obesidade nas pessoas e na sociedade, destacando como prioritários o aumento da literacia em saúde e a implementação de programas de saúde pública de promoção de vida saudável.

No documento, disponibilizado nos websites respetivos, as sociedades médicas apresentam como respostas eficazes de perda e manutenção de peso a longo prazo o tratamento médico com medicamentos que promovam a perda de peso e o tratamento cirúrgico (cirurgia bariátrica), sendo ambos aplicados como complemento de uma dieta reduzida em calorias e de um aumento da atividade física.

“A obesidade é uma doença complexa e multifatorial caracterizada por uma desregulação do balanço energético, tipicamente causada por um padrão alimentar em que o aporte calórico é superior às calorias despendidas, tendo o cérebro um papel central neste processo”, referem.

Atualmente, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), 10 % do orçamento total em saúde em Portugal é alocado ao tratamento de doenças relacionadas com o excesso de peso e obesidade, uma percentagem superior à média dos países da OCDE (8,4 %), representando 3 % do PIB nacional.

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