Identificada mudança de padrão da mortalidade desde a pandemia

29/03/23
Identificada mudança de padrão da mortalidade desde a pandemia

O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) identificou uma mudança de padrão da mortalidade visível após 2019, quer na mortalidade total, que aumentou, quer na mortalidade observada na maioria dos grupos etários.

Segundo o relatório de Monitorização da mortalidade 2022, elaborado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge e divulgado esta terça-feira (28 de março), entre 2019 e 2020 observou-se “o maior aumento da taxa de mortalidade total” (em termos absolutos e relativos) registado na série analisada desde 1991.

Parte deste aumento, estará associado às alterações demográficas ocorridas no país, como aconteceu até 2019, mas o INSA aponta para um aumento da taxa de mortalidade além do que seria explicado por este fator, “dado o aumento da taxa de mortalidade em vários grupos etários, e o aumento da taxa de mortalidade padronizada”.

Após os dois anos de maior impacto da pandemia na mortalidade (2020 e 2021), a taxa bruta de mortalidade foi superior à registada em 2019, refere o INSA, que indica que tal é “especialmente marcado no grupo etário acima dos 85 anos”, embora também seja observável noutros grupos etários acima dos 55 anos.

Contudo, o INSA ressalva que os valores de 2022 são provisórios, pois os peritos que elaboraram o relatório usaram os dados da população dos Censos de 2021.

Excluindo o número de óbitos registados por COVID-19 entre 2020 e 2022, a taxa de mortalidade total (bruta e padronizada) e em vários grupos etários não apresenta uma tendência crescente.

No entanto – referem os peritos – “não podemos considerar que a mortalidade total excluindo os óbitos COVID-19 fosse a mortalidade esperada na ausência de pandemia”.

De acordo com o trabalho do INSA, que analisou o período entre 03 de janeiro de 2022 e 01 de janeiro deste ano, foram identificados quatro períodos de excesso de mortalidade a nível nacional, totalizando 6.135 óbitos em excesso, tendo-se registado um total de 124.602 óbitos em Portugal.

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