News Farma (NF) | O CHUP é o primeiro hospital público em Portugal a instalar a tecnologia de ablação tumoral por laser para tratar cancro e a epilepsia. Que benefícios para a ciência vem trazer esta nova tecnologia?
Dr. Alfredo Calheiro (AC) | A ablação por laser é uma técnica minimamente invasiva e inovadora para tratamento de tumores cerebrais. É um grande avanço tecnológico no tratamento destas doenças. Nos casos em que a cirurgia convencional acarreta muitos riscos para os doentes, esta técnica é muito mais segura, por ser menos invasiva. A sua grande vantagem é poder tratar tumores localizados em zonas profundas ou nobres do cérebro. Nestas zonas, a cirurgia convencional é extremamente difícil e arriscada no sentido em que pode provocar lesões graves ao doente. Esta técnica veio diminuir ou mesmo eliminar esse risco.
NF | E que vantagens traz para os seus doentes?
AC | Em certos casos, este é o único tratamento possível, em virtude da localização do tumor. Noutras situações, também pode ser uma boa alternativa à cirurgia convencional, uma vez que é um tratamento menos invasivo, com menor risco e com menor tempo de internamento. Pode ser ainda uma terapêutica adjuvante nas situações oncológicas. É ainda uma técnica minimamente invasiva, muito menos agressiva, com menos riscos e com um tempo de internamento mais curto. Em conclusão, é um tratamento que oferece mais segurança, menos riscos, menos tempo de internamento e maior qualidade de vida. Podemos assim dizer que este tratamento é uma nova “arma” extremamente eficaz no combate aos tumores cerebrais.
NF | Em comparação com o estrangeiro, Portugal está na vanguarda desta nova tecnologia?
AC | Sim, somos dos primeiros centros. Esta técnica iniciou-se na Europa há relativamente pouco tempo, cerca de três anos e meio, sendo que em 2019 realizámos o primeiro caso no Hospital de Santo António. Porém, nos Estados Unidos, esta técnica já é usada há alguns anos, com muito sucesso, havendo já vários artigos científicos publicados que vêm confirmar os bons resultados deste tratamento.
NF | É necessário que o resto do país acompanhe esta inovação para uma melhoria do tratamento?
AC | Claro. Sendo um método comprovadamente seguro, eficaz e que oferece muitos benefícios ao doente, deve estar ao alcance de todos os utentes do Serviço Nacional de Saúde. É um sinal de inovação, progressão e evolução, pois a tendência atual é a de utilização de técnicas minimamente invasivas. Porém, não é necessário instalar este tratamento em todos os hospitais. Dever-se-á concentrar em dois centros de referência para que a experiência seja maior e, consequentemente, os resultados sejam cada vez melhores.
NF | Como é que tecnologia de ablação funciona?
AC | Esta consiste no uso de um aparelho de neuronavegação, uma espécie de GPS do cérebro, que nos vai guiar de forma a conseguirmos introduzir através de um micro-orifício no crânio, de cerca de 2 mm, um cateter de fibra ótica até à lesão cerebral. A destruição da lesão é depois feita por energia térmica com temperaturas entre 50 e 80º, o que provoca a desnaturação das proteínas celulares, levando à morte celular, ou seja, à destruição do tumor. E só é seguro usar esta técnica se conseguirmos “medir a temperatura”. A técnica é realizada dentro de uma ressonância com um software próprio que permite dar uma imagem em tempo real da temperatura naquela zona do cérebro, isto é, temos um mapa térmico que permite visualizar a destruição que estamos a provocar no tumor.
NF | Qual é a principal missão do CHUP com esta nova tecnologia?
AC | O nosso objetivo é sempre tratar com recursos às técnicas mais avançadas e inovadoras, de forma a oferecer aos nossos doentes os tratamentos mais eficazes. No caso dos tumores malignos cerebrais, trata-se especialmente de prolongar a vida do doente com qualidade. Já nos casos de epilepsia, o objetivo é controlar a doença e em alguns casos curar os doentes.
